Um estudo de vários anos descobriu que a artrite reumatoide parece começar anos antes da dor ou rigidez nas articulações, com amplas mudanças imunológicas se desenrolando silenciosamente em pessoas que carregam anticorpos ligados à AR. Ao rastrear esses indivíduos em risco por sete anos, os pesquisadores documentaram inflamação sistêmica, disfunção de células imunes e reprogramação epigenética, achados que podem apoiar esforços de detecção e prevenção mais precoces.
A artrite reumatoide (AR), uma doença autoimune crônica que causa inflamação e dano doloroso nas articulações, parece começar muito antes dos sintomas surgirem, de acordo com nova pesquisa baseada no trabalho do Allen Institute e colaboradores.
A equipe do estudo relata no Science Translational Medicine que pessoas com maior risco de AR já estão experimentando um processo autoimune amplamente invisível bem antes de seus primeiros incômodos ou rigidez. Usando perfilamento imunológico detalhado, os pesquisadores mapearam como o processo da doença se constrói ao longo do tempo nesta fase pré-clínica.
Em um estudo de sete anos e múltiplas instituições, cientistas do Allen Institute, da University of Colorado Anschutz Medical Campus (CU Anschutz), da University of California San Diego e do Benaroya Research Institute acompanharam indivíduos que carregavam anticorpos anticitrulinados de proteína (ACPA). Esses anticorpos são biomarcadores bem estabelecidos para risco aumentado de AR. Ao longo do estudo, a equipe identificou inflamação generalizada e anormalidades em células imunes semelhantes às observadas em pessoas com AR estabelecida.
De acordo com o Allen Institute e um relatório no ScienceDaily, os pesquisadores observaram sinais de inflamação sistêmica por todo o corpo, não apenas nas articulações, espelhando o estado inflamatório generalizado frequentemente encontrado na AR ativa.
As principais disrupções imunes incluíram células B em estado pró-inflamatório e expansão de células T auxiliares, especialmente um subconjunto semelhante às chamadas células Tfh17-like. Essas células T ajudam a coordenar respostas imunes, incluindo a produção de autoanticorpos que podem atacar tecido saudável, e sua hiperatividade pode ajudar a explicar por que o sistema imune começa a atacar as próprias articulações do corpo.
A equipe também encontrou evidências de "reprogramação" celular. Mesmo células T ingênuas, que normalmente ainda não encontraram patógenos ou outras ameaças, mostraram mudanças epigenéticas – mudanças em como os genes são ligados e desligados sem alterar a sequência de DNA subjacente. Essas mudanças sugerem que as células estão sendo preparadas para uma resposta autoimune antes de qualquer sintoma aparecer.
Além disso, monócitos circulantes – um tipo de glóbulo branco – estavam produzindo altos níveis de moléculas inflamatórias. Os pesquisadores relatam que essas células transportadas pelo sangue se assemelhavam de perto aos macrófagos vistos em tecido articular inflamado de pacientes com AR, indicando que um programa inflamatório semelhante ao das articulações pode já estar presente no sangue de indivíduos em risco.
"No geral, esperamos que este estudo aumente a conscientização de que a artrite reumatoide começa muito antes do que se pensava anteriormente e que permita aos pesquisadores tomar decisões baseadas em dados sobre estratégias para interromper o desenvolvimento da doença", disse Mark Gillespie, Ph.D., investigador assistente no Allen Institute e coautor sênior do estudo, em um comunicado divulgado pelo instituto.
O coautor sênior Kevin Deane, M.D./Ph.D., da CU Anschutz, acrescentou no mesmo comunicado: "Esperamos que, daqui para frente, os achados deste estudo apoiem estudos adicionais para identificar maneiras de prever melhor quem desenvolverá AR, identificar alvos biológicos potenciais para prevenir AR, bem como identificar maneiras de melhorar os tratamentos para aqueles com AR existente."
Pesquisadores e o resumo do Allen Institute dizem que esses insights revelam novos biomarcadores e assinaturas imunes que podem ajudar a identificar quais indivíduos em risco são mais propensos a desenvolver AR. Embora mais trabalho seja necessário antes que triagens rotineiras ou terapias preventivas possam ser implementadas, o estudo apoia uma mudança para detectar e potencialmente intervir na AR durante sua fase inicial oculta, com o objetivo de prevenir danos articulares e incapacidade a longo prazo.