Cientistas da Case Western Reserve University descobriram que a asma pode ser impulsionada por 'pseudo-leucotrienos' formados por reações de radicais livres, em vez dos leucotrienos tradicionalmente responsabilizados e produzidos por enzimas. Essas moléculas aparecem em níveis mais altos em pacientes com asma, correlacionando-se com a gravidade dos sintomas. A descoberta sugere potenciais novos tratamentos que visam a causa raiz da inflamação.
Por décadas, a asma foi compreendida como uma condição inflamatória principalmente desencadeada por leucotrienos, substâncias químicas liberadas por glóbulos brancos em resposta a irritantes ou alérgenos. Essas moléculas estreitam as vias aéreas, levando a dificuldades respiratórias, e medicamentos como Singulair foram desenvolvidos para bloquear seus efeitos ao mirar no mesmo receptor. No entanto, um novo estudo de pesquisadores da Case Western Reserve University desafia essa visão. Liderado por Robert Salomon, o Professor Charles Frederic Mabery de Pesquisa em Química, a equipe identificou 'pseudo-leucotrienos' — moléculas estruturalmente semelhantes aos leucotrienos, mas formadas de forma diferente. Diferentemente dos leucotrienos impulsionados por enzimas, esses surgem de reações de radicais livres descontroladas que adicionam oxigênio aos lipídios, criando um processo inflamatório rápido e explosivo. «O processo de radicais livres é quase como uma explosão ou um incêndio», explicou Salomon. «É exatamente como quando o oxigênio reage com combustível e você obtém chamas. Pode facilmente sair do controle.» A análise de amostras de urina revelou que os níveis de pseudo-leucotrienos eram quatro a cinco vezes mais altos em pessoas com asma em comparação com aquelas sem, e correspondiam de perto à gravidade da doença em casos leves e graves. Os pesquisadores sugerem que esses possam servir como biomarcadores para monitorar a asma e a eficácia do tratamento. Os tratamentos atuais bloqueiam o receptor onde ambos os tipos de moléculas se ligam, mas Salomon defende uma abordagem mais precisa: «A verdadeira importância dessa descoberta é a possibilidade de tratar essas doenças com fármacos que previnem o processo de radicais livres ou o moderam, em vez de fármacos que bloqueiam o receptor.» O estudo, financiado pelo U.S. National Institutes of Health, aparece como pre-proof no Journal of Allergy and Clinical Immunology. Colaboradores incluíram especialistas da Case Western Reserve, University of Toledo e Cleveland Clinic Children's Hospital. Pesquisas futuras explorarão papéis em outras condições como RSV, bronquiolite e DPOC, com implicações mais amplas para doenças neurológicas como Parkinson e Alzheimer.