Pesquisadores da Universidade de Nagoya relatam que dois micróbios intestinais comuns podem trabalhar juntos para quebrar a camada de muco protetora do cólon, deixando as fezes secas e difíceis de passar — um efeito que laxantes padrão podem não resolver. A equipe também encontrou níveis mais altos dessas bactérias em pessoas com doença de Parkinson, que frequentemente experimentam constipação décadas antes dos sintomas motores, e demonstrou em camundongos que desativar uma enzima bacteriana chave preveniu a constipação.
Cientistas da Universidade de Nagoya, no Japão, identificaram duas bactérias intestinais que parecem trabalhar em conjunto para promover constipação crônica ao corroer a camada de muco protetora do cólon. A pesquisa, publicada na revista Gut Microbes, foca em Akkermansia muciniphila e Bacteroides thetaiotaomicron, que os pesquisadores dizem poderem quebrar o revestimento de muco que ajuda a manter o cólon lubrificado e as fezes hidratadas. De acordo com os pesquisadores, a perda de muco ocorre em etapas. B. thetaiotaomicron produz enzimas que removem grupos sulfato da mucina — características químicas que a equipe diz que normalmente ajudam a proteger a mucina de ser decomposta. Uma vez removidos esses grupos sulfato, A. muciniphila pode digerir mais facilmente a mucina exposta. À medida que os níveis de mucina caem, as fezes podem perder umidade e tornar-se mais duras e difíceis de passar. O trabalho é posicionado como uma possível explicação para por que algumas pessoas com constipação persistente não respondem bem às terapias padrão que visam principalmente amolecer as fezes ou estimular o movimento intestinal. O grupo de Nagoya destaca a constipação idiopática crônica — constipação sem causa subjacente clara — como uma área onde focar na barreira de muco e no microbioma poderia ser particularmente relevante. A equipe também relata uma conexão com a doença de Parkinson. Pacientes com Parkinson frequentemente experimentam constipação muito antes do surgimento dos sintomas motores característicos, e os pesquisadores encontraram níveis mais altos dessas bactérias degradadoras de muco em pacientes com Parkinson. Embora a constipação na doença de Parkinson tenha sido frequentemente atribuída a mudanças neurológicas, os achados sugerem que a atividade bacteriana no intestino também pode contribuir para sintomas gastrointestinais precoces. Para testar se interromper o processo poderia prevenir a constipação, os pesquisadores modificaram geneticamente B. thetaiotaomicron para que não pudesse mais ativar a enzima sulfatase envolvida na remoção de grupos sulfato da mucina. O autor principal Tomonari Hamaguchi disse: “Colocamos essas bactérias modificadas em camundongos livres de germes junto com Akkermansia muciniphila, e surpreendentemente os camundongos não desenvolveram constipação; o muco permaneceu protegido e intacto.” Nos experimentos com camundongos, desativar essa enzima impediu as bactérias de degradarem a mucina e preveniu a constipação, relataram os pesquisadores. A equipe argumenta que os resultados apontam para sulfatase como um alvo de droga potencial, embora enfatizem que traduzir a abordagem para humanos exigiria mais estudos. Mais amplamente, os achados adicionam ao crescente interesse na pesquisa sobre como o microbioma intestinal pode influenciar sintomas digestivos e doença neurológica — particularmente porque a constipação pode preceder os sintomas motores de Parkinson por décadas em alguns pacientes.