Um novo estudo revela que mortes por overdoses, suicídios e doenças relacionadas ao álcool entre americanos brancos de meia-idade sem diploma universitário começaram a aumentar nos anos 1980, coincidindo com a queda na frequência à igreja. Essa tendência precede a crise de opioides, sugerindo fatores sociais mais amplos. Pesquisadores argumentam que a perda de participação religiosa pode ter contribuído para esses aumentos de mortalidade.
A pesquisa, publicada no Journal of the European Economic Association, analisou dados das General Social Surveys sobre envolvimento religioso e registros de mortalidade dos Centers for Disease Control and Prevention. Focou em adultos brancos de meia-idade sem educação superior, um grupo que viu quedas concentradas na frequência à igreja de 1985 a 2000. Durante esse período, estados com as maiores quedas na participação religiosa experimentaram os maiores aumentos nas chamadas "mortes por desespero".
Esse padrão surgiu bem antes da introdução do OxyContin em 1996, que alimentou a epidemia de opioides. As taxas de mortalidade por essas causas haviam caído do final dos anos 1970 até o início dos 1990, mas estagnaram por volta do tempo em que a ida à igreja diminuiu. "O que vemos neste estudo é o início da história, antes que os opioides se tornassem um problema maior, e mostra que os aumentos nas mortes por desespero já estavam começando quando a crise de opioides atingiu", disse Tamar Oostrom, professora assistente de economia na The Ohio State University e coautora do estudo, ao lado de Tyler Giles da Wellesley College e Daniel Hungerman da University of Notre Dame.
Para reforçar sua análise, a equipe examinou a revogação das "blue laws", que outrora limitavam as operações comerciais aos domingos e potencialmente incentivavam a frequência à igreja. Em 1985, estados como Minnesota, South Carolina e Texas aboliram essas restrições, resultando em uma queda de 5 a 10 pontos percentuais na frequência semanal a serviços religiosos. Essas áreas relataram posteriormente taxas mais altas de mortes por desespero, uma tendência observada em ambos os sexos e em contextos rurais e urbanos.
O estudo sugere que a redução na ida à igreja pode erodir laços sociais e senso de identidade, além da mera socialização. "A religião pode fornecer alguma forma de dar sentido ao mundo, algum senso de identidade em relação aos outros, que não pode ser facilmente substituído por outras formas de socialização", explicou Oostrom. Notavelmente, a religiosidade auto-identificada permaneceu estável, mas a participação real caiu.
Embora os opioides tenham exacerbado o problema —"OxyContin e a crise de opioides tornaram uma situação ruim pior", segundo Oostrom—, os achados destacam a necessidade de engajamento comunitário para lidar com as tendências atuais de mortalidade. No entanto, os autores expressam pessimismo quanto a reversões, citando declínios persistentes na participação e o surgimento das redes sociais como barreiras.