O Ministério dos Transportes da Colômbia retirou o Projeto de Lei 347 de 2026, que visava endurecer sanções contra plataformas de mobilidade como Uber e Didi. A medida busca esclarecer o alcance do decreto e incluir discussões com o setor de transportes. As plataformas digitais alertaram para proibições e perseguições potenciais.
O Ministério dos Transportes da Colômbia anunciou a retirada do projeto de lei sobre o regime sancionador para plataformas de mobilidade, a fim de fazer ajustes em sua redação. Essa decisão visa proporcionar maior clareza sobre o alcance do decreto e incorporar discussões com o setor de transportes, conforme declarado por Luis Gabriel Serna, chefe do Escritório Jurídico da Superintendencia de Transporte. Serna explicou que os ajustes abordam «as múltiplas e simultâneas interpretações errôneas de alguns artigos do projeto». A proposta, conhecida como Projeto de Lei 347 de 2026, buscava aumentar a supervisão dos serviços de transporte via apps, mas imediatamente gerou alarmes em empresas como Uber e Didi. A Uber argumentou que o projeto «confunde inovação com ameaça» e desvia um debate que deveria ser resolvido por meio do diálogo e de uma visão prospectiva para a economia e a mobilidade do país. «Criminalizar o uso de um app não protege ninguém; apenas põe em risco a integridade e a segurança de milhões de usuários, motoristas de táxi, locatários de motocicletas e veículos particulares, bem como a estabilidade e a tranquilidade de suas famílias», afirmaram. «A Colômbia está em um momento de definições. O caminho não deve ser punir o que funciona, mas confiar nos cidadãos e em sua capacidade de escolher como gerar renda e se locomover», indicou a Uber. A Alianza In, que representa as plataformas digitais, descreveu o projeto como «um dos retrocessos mais graves» em inovação e mobilidade, ameaçando o ecossistema digital e a renda de centenas de milhares de famílias. José Daniel López, presidente executivo da Alianza In Colômbia, disse: «Este é um projeto cuja consequência prática é a proibição absoluta das plataformas de mobilidade e das liberdades e direitos que representam. É um esquema de perseguição contra motoristas, usuários e empresas». As sanções criticadas incluem imobilização de veículos por até 120 dias e multas desproporcionais, como 4,7 milhões de pesos por viagem ou até 2,179 milhões quando não há penalidade específica. A Superintendencia de Industria y Comercio (SIC) observou que não compartilha o design do projeto, embora possa causar confusões. Essa retirada abre espaço para revisões que equilibrem regulação e inovação no setor de transportes.