Um estudo clínico mostra que a arginina, um aminoácido natural, pode reduzir a acidez nos biofilmes dentários e alterar sua estrutura para proteger contra cáries. Pesquisadores da Universidade de Aarhus testaram o tratamento em participantes com cáries ativas, obtendo resultados promissores após quatro dias. Os achados sugerem que a arginina poderia aprimorar produtos de prevenção de cáries como pastas de dente.
Bactérias que adoram açúcar na boca produzem ácidos que corroem o esmalte dentário, levando às cáries. Essas bactérias formam biofilmes dentários densos nos dentes, onde a produção de ácido intensifica o dano. A arginina, presente naturalmente na saliva, ajuda a combater isso ao permitir que bactérias benéficas produzam compostos alcalinos via sistema de deiminase de arginina. Para testar os efeitos da arginina na boca humana, uma equipe liderada pela Post.doc. Yumi C. Del Rey e pelo Professor Sebastian Schlafer da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, realizou um estudo clínico com 12 participantes com cáries ativas. Os participantes usaram próteses dentárias projetadas especialmente para cultivar biofilmes. Cada dia, mergulharam as próteses em uma solução de açúcar por cinco minutos, depois trataram um lado com arginina por 30 minutos e o outro com água destilada como placebo. Isso foi repetido três vezes ao dia por quatro dias, com arginina sempre no mesmo lado. «O objetivo era investigar o impacto do tratamento com arginina na acidez, tipo de bactérias e matriz de carboidratos dos biofilmes de pacientes com cárie ativa», explica Sebastian Schlafer, professor do Departamento de Odontologia e Saúde Oral. Após quatro dias, os biofilmes foram analisados. Usando o corante sensível ao pH C-SNARF-4, os pesquisadores descobriram que os biofilmes tratados com arginina tinham níveis de pH mais altos —indicando menor acidez— aos 10 e 35 minutos após exposição ao açúcar. «Nossos resultados revelaram diferenças na acidez dos biofilmes, com os tratados com arginina estando significativamente mais protegidos contra a acidificação causada pelo metabolismo do açúcar», diz Yumi C. Del Rey, a primeira autora. A análise estrutural com lectinas marcadas com fluorescência mostrou carboidratos baseados em fucose reduzidos nos biofilmes tratados com arginina, potencialmente limitando o dano. Carboidratos contendo galactose mudaram, tornando-se menos abundantes perto da superfície do dente e mais para o topo, o que pode prevenir acúmulo de ácido. A sequenciação de DNA bacteriano via 16S rRNA revelou mudanças na composição microbiana. A arginina reduziu o grupo Streptococcus mitis/oralis produtor de ácido, enquanto aumentou ligeiramente estreptococos metabolizadores de arginina, dominados no geral por espécies de Streptococcus e Veillonella. Essas mudanças tornaram os biofilmes menos agressivos. O estudo, publicado no International Journal of Oral Science em 2025, destaca a arginina como uma opção segura e natural para prevenção de cáries, adequada até para crianças, possivelmente adicionada a produtos de cuidados bucais.