Astrônomos identificaram uma anã branca oculta como a fonte dos raios-X extremos da estrela Gamma Cassiopeiae, visível a olho nu. Observações do telescópio espacial XRISM, do Japão, revelaram o movimento orbital da companheira por meio de mudanças nas velocidades do plasma. A descoberta confirma uma classe de sistemas estelares binários prevista há muito tempo.
A Gamma Cassiopeiae, uma estrela brilhante visível a olho nu na constelação de Cassiopeia, intriga os cientistas desde 1976 devido às suas emissões de raios-X incomumente intensas e quentes — cerca de 40 vezes mais fortes do que as de estrelas massivas semelhantes, com plasma excedendo 100 milhões de graus Kelvin. Classificada como a primeira estrela do tipo Be em 1866 pelo astrônomo italiano Angelo Secchi, ela gira rapidamente e ejeta material em um disco ao seu redor. Cerca de 20 estrelas semelhantes, conhecidas como análogas de γ Cas, foram encontradas desde então, com pesquisadores da Universidade de Liège identificando mais da metade. Yaël Nazé, astrônoma da Universidade de Liège, observou que teorias anteriores incluíam a reconexão magnética na superfície da estrela ou companheiras como estrelas despojadas, estrelas de nêutrons ou anãs brancas em acreção, mas as observações descartaram todas as hipóteses, exceto a atividade magnética ou uma anã branca. Dados precisos do instrumento Resolve, no telescópio espacial XRISM do Japão, coletados em dezembro de 2024, fevereiro de 2025 e junho de 2025, rastrearam a órbita completa de 203 dias. Os espectros mostraram assinaturas de plasma de alta temperatura alterando a velocidade com o movimento da companheira, e não da estrela Be — uma evidência direta que vincula os raios-X à anã branca. Larguras espectrais em torno de 200 km/s indicam uma anã branca magnética, cujo campo canaliza o material do disco para os polos. Lideradas por pesquisadores da Universidade de Liège, incluindo Nazé, Masahiro Tsujimoto, Gregor Rauw e Sean J. Gunderson, as descobertas foram publicadas na revista Astronomy & Astrophysics. Elas confirmam estrelas Be pareadas com anãs brancas — um tipo binário previsto, porém não observado — que afeta cerca de 10% das estrelas Be massivas. Nazé afirmou que essa discrepância exige a revisão dos modelos de evolução binária, especialmente quanto à eficiência da transferência de massa, alinhando-se a estudos recentes e auxiliando na compreensão de ondas gravitacionais provenientes de binárias massivas.