Savana do cerrado brasileiro armazena vasto carbono em solos de turfa

Nova pesquisa revela que a savana do cerrado brasileiro, frequentemente ofuscada pela floresta amazônica, armazena seis vezes mais carbono por hectare em sua turfa subterrânea do que a biomassa da Amazônia. Este ecossistema biodiverso enfrenta ameaças das mudanças climáticas e da expansão do agronegócio. Proteger seus pântanos poderia ajudar significativamente os esforços globais para reduzir os gases de efeito estufa.

O cerrado, segundo maior bioma do Brasil depois da Amazônia, é uma vasta savana conhecida por suas gramíneas ondulantes e árvores espalhadas, tornando-o a savana mais biodiversa do mundo. Sob a superfície, seus pântanos abrigam turfa — carbono concentrado formado em condições encharcadas e pobres em oxigênio que impedem a decomposição da vegetação morta. Depósitos no cerrado podem datar de 20.000 anos, sustentados por águas subterrâneas que mantêm o solo úmido mesmo durante a estação seca de quatro a cinco meses. Ecologista Larissa Verona, autora principal de um estudo recente realizado enquanto estava na Universidade Estadual de Campinas e agora no Cary Institute of Ecosystem Studies, analisou núcleos de solo de até 4 metros de profundidade. Os resultados mostram que esses pântanos de turfa armazenam mais de 1.300 toneladas de carbono por hectare. “Quando você degrada isso — um hectare da Amazônia e um hectare de pântano no cerrado — estamos perdendo seis vezes mais carbono”, disse Verona. O sistema de águas subterrâneas do cerrado não apenas preserva a turfa, mas também alimenta oito dos 12 principais cursos d’água do Brasil, incluindo alguns que fluem para a Amazônia. Em uma única parcela de 1 metro por 1 metro, os pesquisadores identificaram 50 espécies de plantas, destacando a rica, embora sutil, biodiversidade da área. Coautora Amy Zanne, ecologista no Cary Institute, observou: “Elas são minúsculas, então você não as nota, como uma grande árvore da Amazônia, mas são extremamente ricas em diversidade.” No entanto, temperaturas em ascensão e uma estação seca mais longa estão secando a turfa, tornando-a vulnerável a incêndios. Esses incêndios, alimentados pela turfa dessecante, ardem lentamente por mais tempo do que incêndios típicos de gramíneas, liberando gases de efeito estufa e material particulado prejudicial. O agronegócio, particularmente o cultivo de soja, agrava o problema ao extrair águas subterrâneas necessárias para manter as condições de pântano. O cerrado recebe menos proteção legal do que a Amazônia, permitindo tal avanço. “Se você só protege o lugar, mas não protege a água, não estamos protegendo o carbono”, enfatizou Verona. Ao contrário do rápido crescimento das árvores da Amazônia, a acumulação de turfa ocorre ao longo de milênios. “Se você perde isso, para acumular novamente demandará milhares de anos”, ela acrescentou. Embora ecossistemas possam ser restaurados, o carbono perdido não pode, sublinhando a necessidade de proteger tanto a terra quanto a água no cerrado.

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