Uma importante revisão da Cochrane, abrangendo 17 ensaios clínicos e mais de 20.000 participantes, concluiu que medicamentos que visam a proteína beta-amiloide no cérebro não trazem benefícios significativos para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer em estágio inicial. Esses tratamentos também elevam o risco de inchaço e sangramento cerebral. Os pesquisadores defendem uma mudança para caminhos alternativos em futuros tratamentos.
Os medicamentos anti-amiloide, desenvolvidos para eliminar depósitos de proteínas considerados responsáveis pela progressão da doença de Alzheimer, apresentam pouco valor clínico, apesar de reduzirem os níveis de amiloide, de acordo com uma nova revisão sistemática da Cochrane. A análise reuniu dados de 17 ensaios com 20.342 participantes, todos focados em pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência em estágio inicial. Os efeitos na memória e na gravidade da doença ficaram muito abaixo dos limites considerados significativos na prática, constataram os pesquisadores. A revisão foi publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews, em 2026 (4), com DOI: 10.1002/14651858.CD016297. Os materiais foram fornecidos pela Cochrane, conforme relatado pelo ScienceDaily. “Infelizmente, as evidências sugerem que esses medicamentos não fazem uma diferença significativa para os pacientes”, disse o autor principal Francesco Nonino, neurologista e epidemiologista no Instituto de Ciências Neurológicas de Bolonha, na Itália. Ele observou que, embora os primeiros ensaios tenham mostrado significância estatística, isso não se traduziu em benefícios reais. Preocupações com a segurança surgiram de forma proeminente, com os medicamentos ligados a taxas mais altas de inchaço e sangramento cerebral, frequentemente detectáveis apenas em exames de imagem, mesmo sem sintomas. Os impactos a longo prazo permanecem incertos devido a relatórios inconsistentes entre os estudos. “Eu atendo pacientes com Alzheimer em minha clínica toda semana e gostaria de ter um tratamento eficaz para oferecer a eles”, disse o autor sênior Edo Richard, professor de Neurologia no Centro Médico da Universidade Radboud. Ele destacou a necessidade não atendida e pediu a exploração de outras vias biológicas além da remoção de amiloide.