Cientistas da Washington University School of Medicine em St. Louis desenvolveram um exame de sangue que estima quando os sintomas de Alzheimer podem começar, usando níveis da proteína p-tau217. O modelo prevê o início em cerca de três a quatro anos, podendo auxiliar ensaios clínicos e intervenções precoces. Esse avanço se baseia em dados de 603 idosos em estudos em andamento.
Pesquisadores da Washington University School of Medicine em St. Louis publicaram achados em 19 de fevereiro na Nature Medicine, detalhando um modelo preditivo baseado em um único exame de sangue. O teste mede p-tau217, uma proteína no plasma que reflete o acúmulo de amiloide e tau no cérebro, marcas do Alzheimer que se acumulam anos antes dos sintomas. O estudo usou dados de 603 idosos inscritos no Knight Alzheimer Disease Research Center e no Alzheimer's Disease Neuroimaging Initiative. Em um grupo, p-tau217 foi avaliado com PrecivityAD2, teste da C2N Diagnostics, startup da universidade. O outro grupo usou testes aprovados pela FDA de empresas diferentes. O modelo estima a idade de início dos sintomas, com margem de três a quatro anos. A idade influencia o cronograma: para alguém com p-tau217 elevado aos 60 anos, sintomas surgem cerca de 20 anos depois, contra cerca de 11 anos se aos 80. «Níveis de amiloide e tau são como anéis de árvore -- se soubermos quantos anéis uma árvore tem, sabemos sua idade em anos,» explicou a autora principal Kellen K. Petersen, PhD, instrutora de neurologia na universidade. Atualmente, mais de 7 milhões de americanos vivem com Alzheimer, com custos de cuidados projetados em quase US$ 400 bilhões em 2025, segundo a Alzheimer's Association. A pesquisa, parte do Foundation for the National Institutes of Health Biomarkers Consortium, destaca exames de sangue como mais baratos e acessíveis que tomografias cerebrais ou análise de líquido cefalorraquidiano. «Nosso trabalho mostra a viabilidade de usar exames de sangue... para prever o início de sintomas de Alzheimer,» disse a autora sênior Suzanne E. Schindler, MD, PhD, professora associada de neurologia. A equipe liberou o código do modelo publicamente e criou um aplicativo web para exploração adicional, visando refinar previsões para uso clínico e testes eficientes.