PF intima presidente do Unafisco a depor por ordem de Moraes

A Polícia Federal intimou Kleber Cabral, presidente do Unafisco, a prestar depoimento nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A intimação ocorre em meio a investigações sobre vazamentos de dados sigilosos da Receita Federal envolvendo ministros da corte. Cabral tem criticado publicamente as decisões judiciais relacionadas ao caso.

A Polícia Federal (PF) intimou Kleber Cabral, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), para depor nesta sexta-feira (20), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O depoimento faz parte de um procedimento sigiloso, segundo pessoas próximas a Cabral.

Cabral tem questionado decisões do STF sobre suspeitas de vazamento de dados de ministros. Em entrevistas, ele afirmou que um auditor envolvido foi vítima de "falso positivo" e que o caso tem sido tratado de forma desproporcional.

A ONG Transparência Internacional reagiu à intimação em rede social: "Um presidente de sindicato é alvo de intimidação por parte de um juiz constitucional, por defender servidores (culpados ou não) vítimas de evidente abuso de autoridade. É cada dia mais estarrecedor o autoritarismo que emana do STF".

O Unafisco representa Ricardo Mansano de Moraes, um dos quatro auditores suspeitos. Ele é acusado de acessar dados de uma ex-enteada do ministro Gilmar Mendes, filha da advogada Guiomar Feitosa. Após a operação, Ricardo foi afastado de cargo de chefia na Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório, em Presidente Prudente (SP). Sua defesa destaca que ele é um "profissional de reputação ilibada" que nunca respondeu por falta funcional.

Na terça-feira (17), a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A investigação, iniciada por representação da Procuradoria-Geral da República (PGR), apura acessos ilícitos ao sistema da Receita Federal e vazamentos de informações sigilosas de ministros do STF, do procurador-geral e de familiares.

O STF relatou "diversos e múltiplos acessos ilícitos", seguidos de vazamentos. Unafisco e Sindifisco Nacional expressaram preocupação com medidas cautelares contra auditores, afirmando que "sanções extremas exigem fundamentação robusta e lastro probatório consistente".

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