A American Historical Association entrou com uma ação judicial contra o governo Trump, contestando um parecer do Departamento de Justiça que considera a Lei de Registros Presidenciais inconstitucional. Os historiadores buscam impedir a destruição de documentos da Casa Branca. O caso decorre de um memorando recente do Departamento de Justiça argumentando que a lei de 1978 viola a separação de poderes.
A American Historical Association solicitou na semana passada a um juiz federal em Washington, D.C., que impeça funcionários do governo de destruir materiais presidenciais. O pedido segue um memorando do Departamento de Justiça do início deste mês, de autoria de T. Elliot Gaiser, do Gabinete de Assessoria Jurídica, que alega que a Lei de Registros Presidenciais interfere na autonomia do presidente sob o Artigo II da Constituição. A lei, aprovada em 1978 após o caso Watergate, exige a preservação de documentos da Casa Branca para acesso público. Governos republicanos e democratas haviam cumprido a norma anteriormente. Matthew Connelly, professor de história da Universidade de Columbia, descreveu a medida como uma demonstração de desrespeito pela história e pelos direitos dos cidadãos de responsabilizar seus líderes. Timothy Naftali, ex-diretor da Biblioteca Presidencial Nixon, vinculou o parecer ao histórico de Trump no tratamento de documentos sigilosos em Mar-a-Lago, classificando-o como uma tentativa de justificação após a retirada das acusações após sua reeleição. A porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, afirmou que o presidente Trump está comprometido com a preservação de registros e com a implementação de treinamento de funcionários sobre retenção de documentos. No entanto, advogados dos historiadores e da American Oversight observaram que tal treinamento pode não incluir Trump ou o vice-presidente Vance. Dan Jacobson, advogado da associação, destacou que o memorando do Departamento de Justiça ignora precedentes da Suprema Corte da era Nixon que confirmaram a validade da lei. Ambas as partes devem comparecer ao tribunal no início do próximo mês.