Uma revisão científica abrangente concluiu que tomar acetaminofeno, conhecido como Tylenol, durante a gravidez não aumenta o risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual em crianças. Liderada por pesquisadores da City St George's, University of London, o estudo analisou 43 estudos de alta qualidade, incluindo comparações entre irmãos para isolar os efeitos da medicação de fatores genéticos e ambientais. Os achados, publicados em 16 de janeiro de 2026 no The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women's Health, abordam preocupações anteriores provocadas por pesquisas menos robustas.
A revisão, uma análise sistemática e meta-análise, examinou dados de mais de 1 milhão de crianças em vários estudos. Especificamente, avaliou resultados para 262.852 crianças para autismo, 335.255 para TDAH e 406.681 para deficiência intelectual. Usando comparações entre irmãos — onde uma criança foi exposta ao acetaminofeno in utero e outra não —, os pesquisadores não encontraram riscos elevados em comparação com gestações não expostas. Esse método ajuda a controlar genética compartilhada e ambientes familiares que poderiam confundir os resultados. A preocupação pública cresceu após alegações em setembro de 2025 ligando acetaminofeno pré-natal a problemas de desenvolvimento cerebral e taxas mais altas de autismo. No entanto, estudos anteriores frequentemente sofriam de limitações como dados incompletos ou falha em considerar histórico familiar. A nova análise priorizou evidências de alta qualidade, avaliando estudos com a ferramenta Quality In Prognosis Studies (QUIPS) para minimizar viés. Os resultados se mantiveram firmes mesmo em estudos de baixo viés que acompanhavam crianças além de cinco anos. A professora Asma Khalil, que liderou o estudo como professora de Obstetrícia e Medicina Fetal Materna na City St George's, University of London, explicou as implicações. «Nossos achados sugerem que os links relatados anteriormente provavelmente são explicados por predisposição genética ou outros fatores maternos, como febre ou dor subjacente, em vez de um efeito direto do paracetamol em si», disse ela. Ela acrescentou: «A mensagem é clara — o paracetamol continua sendo uma opção segura durante a gravidez quando tomado conforme orientado. Isso é importante, pois o paracetamol é o medicamento de primeira linha que recomendamos para mulheres grávidas com dor ou febre, e elas devem se sentir tranquilas de que ainda têm uma opção segura para aliviar seus sintomas.» Embora a revisão esteja alinhada com diretrizes médicas globais, observou lacunas nos dados sobre exposição por trimestre, sexo da criança ou frequência de dosagem devido a relatos insuficientes em estudos de irmãos. Dor ou febre não tratadas durante a gravidez representam riscos próprios, reforçando o valor do acetaminofeno como tratamento de primeira linha quando usado corretamente.