Uma equipe de pesquisa da Universidade de Rochester, Escola de Medicina de Harvard e Hospital Infantil de Boston relata que uma formulação de nano-micela de complexo de inclusão de canabidiol, chamada CBD-IN, reduziu rapidamente a dor neuropática em camundongos e o fez sem problemas detectáveis de equilíbrio, movimento ou memória. O estudo, publicado online antes da impressão em Cell Chemical Biology em 7 de novembro de 2025, sugere que o efeito não dependeu dos receptores canabinoides clássicos CB1 ou CB2.
Cientistas têm lutado para mapear como o canabidiol (CBD) influencia o sistema nervoso, em parte porque a baixa solubilidade em água do CBD limita quanto chega ao cérebro. De acordo com um resumo do Centro Médico da Universidade de Rochester (URMC), os pesquisadores abordaram isso envolvendo o CBD em uma formulação de nano-micela de complexo de inclusão solúvel em água —CBD-IN— que elevou os níveis do composto no cérebro de camundongos.
Em testes com camundongos, uma dose única de CBD-IN aliviou a dor neuropática em cerca de 30 minutos e manteve a eficácia com dosagens repetidas, sem sinais de tolerância, relata o URMC. Os camundongos não mostraram déficits em desempenho sensoriomotor ou cognitivo — achados consistentes com a descrição do artigo revisado por pares de que o CBD-IN suprimiu a dor “sem prejudicar funções sensoriomotoras ou cognitivas normais”. Os dados de mapeamento de atividade e imagem de cálcio da equipe indicaram que o CBD-IN atenuou a atividade neural anormal em circuitos de processamento de dor enquanto poupou em grande parte os neurônios saudáveis.
O resumo de Rochester também observa que o efeito analgésico não dependeu de CB1 ou CB2 — os receptores canabinoides típicos ativados pelo THC — apontando em vez disso para uma modulação mais ampla da sinalização elétrica e de cálcio em neurônios. Embora este mecanismo independente de receptores seja intrigante, os resultados são pré-clínicos e limitados a camundongos; estudos humanos serão necessários para determinar segurança, dosagem e eficácia em pacientes.
O projeto foi liderado por Kuan Hong Wang, PhD (Universidade de Rochester/Instituto Del Monte para Neurociência), com cientista de equipe e primeira autora Jingyu Feng, PhD. O URMC identifica Jessica Page, PhD, e Leeyup Chung, PhD, como co-primeiras autoras e Zhigang He, PhD (Escola de Medicina de Harvard/Hospital Infantil de Boston), como co-autor sênior. O financiamento veio dos Institutos Nacionais de Saúde e do Instituto Del Monte para Neurociência.
Contexto regulatório: A Lei de Melhoria da Agricultura de 2018 (a “Farm Bill”) removeu o cânhamo — definido como cannabis com no máximo 0,3% de delta-9 THC — da Lei de Substâncias Controladas, permitindo a produção legal federal de canabinoides derivados de cânhamo quando em conformidade com programas federais e estaduais. No entanto, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA aprovou apenas um medicamento de CBD — Epidiolex — para tratar convulsões associadas à síndrome de Lennox-Gastaut, síndrome de Dravet ou complexo de esclerose tuberosa em pacientes com 1 ano ou mais, e a agência aconselha contra o uso de CBD durante a gravidez ou amamentação.
Detalhes da publicação: Supressão rápida de dor neuropática e hiperatividade somatosensorial por canabidiol nanoformulado. Cell Chemical Biology. Online antes da impressão em 7 de novembro de 2025. DOI: 10.1016/j.chembiol.2025.10.005.