O Ministério Público Federal acionou a Vale judicialmente, solicitando o bloqueio de R$ 1 bilhão e a suspensão das atividades na Mina de Fábrica, em Minas Gerais, após um vazamento de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos que causou danos ambientais. O incidente ocorreu em 25 de janeiro de 2026 e afetou córregos que alimentam os rios Maranhão e Paraopeba. A ação destaca irregularidades na licença ambiental e demora na comunicação às autoridades.
O vazamento ocorreu na Cava Área 18 da Mina de Fábrica, localizada entre Ouro Preto e Congonhas, em Minas Gerais, no domingo, 25 de janeiro de 2026. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos escaparam, soterrando os córregos Ponciana e Água Santa e elevando a turbidez da água para mais de duas vezes o limite legal. Isso resultou em danos ambientais nos rios Maranhão e Paraopeba, com fluxo contínuo de potenciais contaminantes.
A ação judicial, assinada pelo procurador Carlos Bruno Ferreira da Silva, acusa a Vale de operar em desacordo com a licença ambiental, que proibia a construção de estruturas de contenção na cava. Vistorias revelaram que a empresa usava uma estrada de acesso interno como barramento improvisado, o qual colapsou devido às chuvas. Além disso, a Vale demorou dez horas para informar as autoridades, violando o prazo legal de duas horas, o que comprometeu a resposta da Defesa Civil.
O MPF pede o bloqueio de R$ 1 bilhão para reparar os danos, suspensão do direito de venda ou transferência da mina e contratação imediata de assessoria técnica independente para estabilizar a área, inviabilizando operações até a segurança ser garantida. Um dia após o incidente, outro vazamento ocorreu na Mina Viga, também da Vale.
A Vale afirma não ter sido notificada e que se manifestará. Há divergências: a mineradora diz que o vazamento foi contido, envolvendo apenas água e terra, sem rejeitos para os cursos d'água. Já o governo de Minas Gerais relata grande volume de rejeitos, aplicando multa de R$ 3,3 milhões. “A ação visa garantir recursos para a reparação integral dos danos e interromper operações em desacordo com a licença ambiental”, informou o MPF.