O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recebeu nesta segunda-feira (9) uma nova denúncia de assédio sexual contra o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi. O magistrado, em licença médica desde a semana passada, enviou mensagem a colegas afirmando que provará sua inocência e repudiando as imputações. A defesa critica vazamentos de informações e alega falta de acesso aos autos.
Marco Buzzi, ministro do STJ, enfrenta uma segunda denúncia de assédio sexual, recebida pelo CNJ em 9 de fevereiro de 2026. A reclamação disciplinar foi aberta após oitiva de uma possível vítima em fatos análogos aos já investigados, com o processo tramitando em sigilo para preservar as partes envolvidas.
A primeira acusação surgiu na semana anterior, envolvendo uma jovem de 18 anos que relatou ter sido agarrada e tocada por Buzzi durante um banho de mar em Balneário Camboriú, Santa Catarina. A família da vítima, que passava férias na casa de praia do ministro, deixou o local no mesmo dia. A jovem via Buzzi como um avô, devido à amizade entre as famílias originada da relação profissional da mãe dela com os tribunais superiores.
Em resposta, Buzzi enviou mensagem no grupo de WhatsApp dos ministros do STJ, afirmando: "Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado". Ele destacou sua idade próxima aos 70 anos, casamento de 45 anos e apoio familiar, repudiando qualquer conduta imprópria. "De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida", escreveu.
A defesa de Buzzi, em nota, declarou que o ministro "não cometeu qualquer ato impróprio" e reclamou de vazamentos que visam constranger o processo legal. Os advogados não tiveram acesso aos autos e criticaram a oitiva sem sua presença, violando normas do CNJ.
Um primo e uma vizinha de Buzzi registraram declarações em cartório questionando a acusação inicial, citando limitações físicas do ministro. As investigações incluem sindicância no STJ, conduzida por ministros Raul Araújo, Francisco Falcão e Antônio Carlos Ferreira, e processo criminal no STF, sob relatoria de Kassio Nunes Marques. Oito dos 29 ministros votantes do STJ se opuseram à abertura da sindicância; a corte tem 33 membros no total.
Nos bastidores, a situação é considerada desfavorável a Buzzi, com tendência de afastamento após a conclusão da apuração. Consequências possíveis incluem aposentadoria compulsória, com manutenção de proventos, ou prisão em caso de condenação criminal.