O empreendedor sul-coreano de criptomoedas Do Kwon foi condenado a 15 anos de prisão na quinta-feira por fraude relacionada ao colapso de seu projeto Terraform Labs, que apagou US$ 40 bilhões em valor para investidores. O homem de 34 anos se declarou culpado em agosto após uma caçada internacional e extradição da Montenegro. O caso destaca os riscos no volátil mercado crypto, com vítimas descrevendo perdas pessoais e financeiras devastadoras.
Do Kwon, formado em Stanford apelidado de 'rei das criptomoedas', cofundou a Terraform Labs em Singapura em 2018. A empresa desenvolveu o TerraUSD, comercializado como uma stablecoin atrelada ao dólar americano para evitar flutuações de preço, e seu token irmão Luna. Kwon promoveu esses como o futuro das criptomoedas, atraindo bilhões em investimentos e ganhando um lugar na lista Forbes 30 under 30 Asia em 2019. A mídia sul-coreana o saudou como um 'gênio' em meio ao entusiasmo generalizado dos investidores.
No entanto, em maio de 2022, TerraUSD e Luna entraram em uma espiral mortal, despencando muito abaixo da paridade de US$ 1 e desencadeando uma cascata de crises nos mercados globais de crypto. Os promotores descreveram o esquema como uma ilusão sustentada por injeções de caixa externo, essencialmente um esquema pirâmide que afetou mais de um milhão de vítimas e causou perdas superiores às dos golpes FTX e OneCoin combinados.
Kwon fugiu da Coreia do Sul antes do crash e foi preso em março de 2023 no aeroporto de Podgorica, em Montenegro, usando um passaporte falso da Costa Rica. Ele foi extraditado para os Estados Unidos no ano passado e se declarou culpado em agosto por acusações de fraude no tribunal federal de Manhattan. Na quinta-feira, o juiz distrital dos EUA Paul A. Engelmayer impôs uma sentença de 15 anos, rejeitando a recomendação do governo de 12 anos como 'indevidamente leniente' e o apelo da defesa por cinco anos como 'completamente irracional'. Kwon deve confiscar mais de US$ 19 milhões.
Durante a audiência, as vítimas compartilharam histórias angustiantes. Stanislav Trofimchuk disse que o investimento de US$ 190.000 de sua família encolheu para US$ 13.000 em 'duas semanas de puro terror', apagando 17 anos de poupança. Chauncey St. John relatou que ONGs perderam mais de US$ 2 milhões e um grupo da igreja US$ 900.000, forçando seus sogros a trabalhar além da aposentadoria; ele perdoou Kwon mesmo assim. Outra vítima escreveu sobre perder US$ 11.400 —'anos de esforço'— e descreveu a evaporação como 'uma das experiências mais aterrorizantes da minha vida'. A promotora assistente dos EUA Sarah Mortazavi chamou de 'fraude executada com arrogância, manipulação e total desrespeito pelas pessoas'.
Kwon se desculpou, afirmando: 'Passei quase todos os momentos acordados dos últimos anos pensando no que poderia ter feito diferente e no que posso fazer agora para consertar as coisas'. Ele enfrenta acusações adicionais de fraude na Coreia do Sul, onde mora sua esposa e filha; o juiz negou seu pedido para cumprir a pena lá.