Uma espécie de formiga parasita do Japão, Temnothorax kinomurai, foi confirmada como produtora exclusiva de rainhas, sem machos ou operárias. Pesquisadores descobriram que essas rainhas se reproduzem assexuadamente e invadem colônias de espécies relacionadas para criar sua prole. Essa descoberta revela uma nova forma de organização social em formigas.
Em um estudo publicado na Current Biology, cientistas documentaram a estratégia reprodutiva única de Temnothorax kinomurai, uma formiga parasita rara nativa do Japão. Por mais de 40 anos, especialistas suspeitavam que essa espécie não possuía machos e operárias fêmeas, mas experimentos recentes em laboratório forneceram evidências definitivas. Jürgen Heinze, da Universidade de Regensburg, na Alemanha, juntamente com colegas, coletou seis colônias de rainhas de T. kinomurai e as criou em caixas de ninhos artificiais. Delas, criaram 43 descendentes, todos confirmados como rainhas por meio da inspeção de suas genitálias—nenhum macho estava presente. Essas rainhas foram então testadas em colônias da espécie relacionada Temnothorax makora. Sete das rainhas conseguiram tomar o controle dos ninhos hospedeiros ao picar e matar a rainha residente e algumas operárias. As operárias de T. makora enganadas ajudaram então a criar os filhotes das invasoras. As rainhas se reproduzem por partenogênese, uma forma de reprodução assexuada em que a prole são fêmeas clonadas. Esse processo, embora raro em formigas, permitiu que as rainhas bem-sucedidas produzissem outros 57 descendentes, novamente todas rainhas. Heinze observou: “Elas exibem uma forma inteiramente nova de organização social, adicionando outra dimensão emocionante ao já rico e variado mundo das formigas.” Essa estratégia envolve riscos, como evidenciado pela baixa taxa de sucesso das invasões das rainhas. No entanto, produzir apenas rainhas aumenta as oportunidades de estabelecer novas colônias sem a necessidade de acasalamento. Heinze explicou: “Se a partenogênese evolui devido a uma mutação aleatória, como em T. kinomurai, as rainhas podem produzir 100 filhas que não precisam acasalar—daí, há 100 rainhas que tentam fundar uma nova colônia.” Ele acrescentou que a taxa de sucesso dessas rainhas partenogenéticas parece maior do que a das que se reproduzem sexualmente. Heinze descreveu T. kinomurai como “o passo final na evolução do parasitismo social, destacando a enorme flexibilidade nas histórias de vida dos insetos sociais.” Os achados sublinham as diversas adaptações nas sociedades de formigas, onde colônias típicas incluem uma rainha, operárias fêmeas e machos de vida curta que morrem após o acasalamento.