A revista Regulatory Toxicology and Pharmacology retratou um artigo de 2000 que afirmava que o glifosato é seguro para humanos, citando envolvimento não divulgado da Monsanto e dependência de estudos não publicados. Esse desenvolvimento destaca preocupações contínuas sobre a regulação do herbicida nos EUA. Enquanto isso, abelhas sem ferrão na Amazônia peruana obtiveram direitos legais em duas regiões pela primeira vez.
Em um movimento significativo, os editores da revista Regulatory Toxicology and Pharmacology retrataram um artigo de 2000 amplamente citado intitulado “Safety evaluation and risk assessment of the herbicide roundup and its active ingredient, glyphosate, for humans” de Williams et al. A retratação, publicada em 2026, revelou que a avaliação se baseou exclusivamente em estudos não publicados da Monsanto, inventora do glifosato posteriormente adquirida pela Bayer AG. Funcionários da Monsanto contribuíram para o artigo sem divulgação, e os autores receberam compensação financeira não divulgada da empresa. O aviso também apontou que o artigo excluiu múltiplos estudos de toxicidade crônica de longo prazo e carcinogenicidade disponíveis em 1999, apesar do conhecimento dos autores. Descreveu a abordagem de peso das evidências como sólida em princípio, mas potencialmente enviesada por essas omissões e influências. Esse artigo apoiou por longo tempo argumentos de que o glifosato não causa câncer e foi referenciado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) em avaliações de segurança. O glifosato, ingrediente chave no Roundup, é aplicado em milhões de acres anualmente, incluindo pré-colheita em grãos como trigo e aveia, levando a resíduos em produtos alimentícios. Reportagens anteriores na Bee Culture notaram seus efeitos subletais em abelhas melíferas, como declínio cognitivo, aprendizado e memória prejudicados, disrupção do bioma intestinal e envelhecimento prematuro (Conrad, 2018). Mais de 165.000 processos foram movidos contra a Bayer em relação ao Roundup e glifosato. Em um avanço ambiental relacionado, duas regiões peruanas — província de Satipo na Amazônia Central e Nauta no nordeste — aprovaram ordenanças no início de janeiro de 2026 concedendo direitos legais às abelhas sem ferrão. Essas abelhas, vitais para polinizar culturas como cacau, café e abacates, bem como grande parte da flora da floresta tropical, enfrentam ameaças da desmatamento, mudanças climáticas e pesticidas. Uma petição online no Avaaz.org busca estender essas proteções em nível nacional. A medida reconhece a importância cultural e medicinal das abelhas para comunidades indígenas da Amazônia.