Cientistas identificaram uma espécie de nematoide desconhecida anteriormente no Great Salt Lake, marcando apenas o terceiro grupo de animais capaz de sobreviver à sua salinidade extrema. Nomeada Diplolaimelloides woaabi com contribuição de anciãos indígenas, o verme parece endêmico do lago. A descoberta levanta questões sobre suas origens e papel potencial no monitoramento da saúde do lago.
Em um avanço para a ecologia microbiana, pesquisadores da University of Utah descreveram uma nova espécie de verme redondo que prospera nas águas hipersalinas do Great Salt Lake. O nematoide, formalmente nomeado Diplolaimelloides woaabi, foi avistado pela primeira vez em 2022 durante expedições de campo lideradas pela então pesquisadora pós-doutoral Julie Jung. Ela coletou amostras dos microbialitos do lago —montes endurecidos construídos por comunidades microbianas— enquanto navegava pela área de kayak e bicicleta. O nome homenageia a Northwestern Band of the Shoshone Nation, cujos anciãos sugeriram “Wo'aabi”, a palavra indígena para verme. Liderada pelo professor de biologia Michael Werner, a equipe confirmou a novidade da espécie após três anos de análise taxonômica. “Pensamos que provavelmente era uma nova espécie de nematoide desde o início, mas levou três anos de trabalho adicional para confirmar essa suspeita taxonomicamente”, explicou Jung, agora professora assistente na Weber State University. Essa descoberta adiciona nematoides à curta lista de animais que suportam as condições do lago, juntando-se a camarões de salmoura e moscas de salmoura, que sustentam aves migratórias. Dados genéticos sugerem uma possível segunda espécie não descrita, como notou o pesquisador de graduação Thomas Murray: “Geneticamente, podemos ver que há pelo menos duas populações por aí.” O verme pertence à antiga família Monhysteridae, tipicamente encontrada em águas marinhas ou salobras, tornando sua presença neste lago interior elevado intrigante. Duas teorias surgem: pode remontar a mares da era Cretácea que cobriram Utah, como sugerido pelo coautor Byron Adams, ou aves podem tê-lo transportado de lagos salinos distantes. “A hipótese nula é que eles estão aqui porque sempre estiveram aqui de alguma forma”, disse Adams. No campo, fêmeas dominam as amostras em mais de 99%, contrastando com culturas de laboratório que mostram uma proporção 50-50 de sexos. Os nematoides habitam as camadas superiores de tapetes algais em microbialitos, alimentando-se de bactérias. Como potenciais bioindicadores, eles poderiam sinalizar mudanças na salinidade ou qualidade da água em meio a pressões humanas sobre o lago. “Eles te dizem o quão saudável é o seu ecossistema”, acrescentou Adams. O estudo, publicado na Journal of Nematology de novembro de 2025, destaca a biodiversidade oculta do lago e sua vulnerabilidade.