Cientistas da Northwestern guiam sonhos para impulsionar resolução de enigmas

Neurocientistas da Universidade Northwestern demonstraram que sinais sonoros sutis durante o sono REM podem influenciar o conteúdo dos sonhos, levando a uma criatividade aprimorada na resolução de charadas mentais. Em um estudo com 20 participantes, 75% relataram sonhos relacionados a enigmas sinalizados, que resolveram em taxas mais altas no dia seguinte. As descobertas sugerem que o sono pode desempenhar um papel chave na resolução criativa de problemas.

Pesquisadores da Universidade Northwestern realizaram um experimento para testar se os sonhos podem ser direcionados para aprimorar a criatividade. O estudo envolveu 20 participantes experientes em sonhos lúcidos. Cada um tentou resolver uma série de enigmas mentais desafiadores no laboratório, com três minutos por enigma. Os enigmas foram pareados com trilhas sonoras distintas, e a maioria permaneceu sem solução devido à dificuldade. Os participantes dormiram durante a noite no laboratório, monitorados por polissonografia para atividade cerebral e sinais fisiológicos. Durante o sono REM, os pesquisadores aplicaram reativação de memória direcionada (TMR) reproduzindo trilhas sonoras ligadas à metade dos enigmas não resolvidos, mas apenas após confirmar o sono. Na manhã seguinte, os participantes descreveram seus sonhos. Em 12 de 20 casos, os sonhos referenciaram mais frequentemente os enigmas sinalizados em comparação aos não sinalizados. No geral, 75% dos participantes relataram elementos de sonhos relacionados aos enigmas alvo. Enigmas que apareceram nos sonhos foram resolvidos a uma taxa de 42%, versus 17% para aqueles que não apareceram. Para os enigmas reativados especificamente, as taxas de sucesso subiram de 20% para 40%. «Muitos problemas no mundo de hoje exigem soluções criativas. Ao aprender mais sobre como nossos cérebros conseguem pensar criativamente... a engenharia do sono poderia ajudar», disse o autor sênior Ken Paller, professor de psicologia e diretor do programa de neurociência cognitiva na Northwestern. A autora principal Karen Konkoly, pesquisadora pós-doutoral, destacou influências inesperadas mesmo sem lucidez. «Mesmo sem lucidez, um sonhador pediu ajuda a um personagem do sonho para resolver o enigma que estávamos sinalizando. Outro foi sinalizado com o enigma das 'árvores' e acordou sonhando em caminhar por uma floresta», disse ela. O estudo observa que, embora os sinais moldassem os sonhos, outros fatores como curiosidade podem contribuir para melhor desempenho. Não prova conclusivamente que sonhar causa soluções, mas avança o entendimento do papel do sono na criatividade. A equipe pretende explorar as funções dos sonhos na regulação emocional e aprendizado. A pesquisa, intitulada «Creative problem-solving after experimentally provoking dreams of unsolved puzzles during REM sleep», apareceu em Neuroscience of Consciousness em 5 de fevereiro.

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