Pesquisadores descobriram que tocar sons associados a quebra-cabeças não resolvidos durante o sono REM pode ajudar sonhadores lúcidos a resolver esses quebra-cabeças de forma mais eficaz no dia seguinte. O estudo envolveu 20 participantes que sinalizaram consciência em seus sonhos por meio de movimentos oculares e fungadas. Essa técnica, conhecida como reativação direcionada de memória, aproveita os processos de memória do cérebro para aprimorar o aprendizado durante o sono.
Um estudo conduzido por Karen Konkoly na Universidade Northwestern, em Illinois, demonstra como sons podem influenciar sonhos para auxiliar na resolução de problemas. A pesquisa, publicada em Neuroscience of Consciousness (DOI: 10.1093/nc/niaf067), envolveu 20 sonhadores lúcidos auto-identificados. Esses participantes tentaram quebra-cabeças enquanto acordados em um laboratório de sono em duas sessões, com cada quebra-cabeça pareado a uma trilha sonora única, como canto de pássaros ou tambores de aço. Os pesquisadores monitoraram a atividade cerebral e movimentos oculares para identificar a fase de movimento rápido dos olhos (REM) do sono, quando os sonhos são tipicamente vívidos e narrativos. Durante o REM, eles reproduziram trilhas sonoras para quebra-cabeças não resolvidos selecionados aleatoriamente. Os participantes indicavam lucidez fazendo pelo menos dois movimentos oculares rápidos da esquerda para a direita e confirmavam ouvir o som e interagir com o quebra-cabeça por meio de pelo menos duas fungadas rápidas de dentro para fora. Na manhã seguinte, os participantes relataram que ouvir as trilhas sonoras durante o sono tornava os quebra-cabeças mais propensos a aparecer em seus sonhos. Entre aqueles que sonharam com os quebra-cabeças, cerca de 40% os resolveram com sucesso, em comparação com 17% daqueles que não relataram sonhar com eles. Esse efeito pode decorrer da reativação direcionada de memória, onde as pistas sonoras ativam memórias no hipocampo, uma região cerebral chave para a formação de memória. Konkoly explica que os sonhos REM são “hiper-associativos e bizarros”, misturando memórias novas e antigas com imaginação, potencialmente permitindo acesso a partes menos inibidas da mente. “Você tem esse cérebro ativo [nesta fase], mas talvez com menos inibição, para que você possa alcançar mais fundo nos cantos da sua mente”, diz ela. Tony Cunningham, da Universidade de Harvard, observa que as descobertas sugerem que “as pessoas podem ser capazes de focar deliberadamente em um problema não resolvido específico enquanto sonham”. No entanto, ele levanta preocupações sobre possíveis interrupções nas funções restauradoras do sono, como a limpeza de detritos cerebrais, e o risco de exploração comercial, como anúncios em dispositivos de sono. “Nossos sentidos já são atacados de todas as direções por anúncios, e-mails e estresse no trabalho durante nossas horas de vigília, e o sono é atualmente um dos poucos intervalos que temos disso”, diz Cunningham. Konkoly planeja pesquisas adicionais sobre por que os mesmos estímulos podem produzir resultados variados em indivíduos em noites diferentes.