A Suprema Corte dos EUA manteve, na segunda-feira, uma lei do Mississippi que permite que autoridades eleitorais contem votos por correio postados até o dia da eleição, mas recebidos em até cinco dias depois. A decisão por 5 a 4 rejeitou um recurso do Comitê Nacional Republicano. A medida preserva práticas utilizadas em cerca de 18 estados e territórios.
A juíza Amy Coney Barrett foi a autora do parecer da maioria, acompanhada pelo presidente da Corte, John Roberts, e pelos três juízes liberais. Ela escreveu que os estatutos federais do dia da eleição exigem que os eleitores façam sua escolha no dia do pleito, mas não estabelecem um prazo para o recebimento das cédulas. "Os estatutos do dia da eleição não dizem nada sobre o recebimento das cédulas, e não podemos adicionar nada às palavras escolhidas pelo Congresso", afirmou Barrett.
O juiz Samuel Alito apresentou o voto divergente, acompanhado parcialmente pelos juízes Clarence Thomas, Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh. Alito alertou que a decisão "cria um risco sério de minar ainda mais a confiança pública em nossas eleições". Ele argumentou que a medida abre oportunidades para fraudes.
O presidente Donald Trump chamou a decisão de "perda tremenda" na rede social Truth Social e renovou sua pressão pela aprovação da Lei SAVE America. O presidente do RNC, Joe Gruters, disse que a decisão torna "ainda mais imperativo que o Congresso aprove a Lei SAVE America". O governador do Mississippi, Tate Reeves, instou a legislatura de seu estado a revogar a lei.