Uma proteína de tardígrados, conhecidos pela sua extrema resiliência, oferece proteção potencial contra radiação cósmica para astronautas, mas vem com custos celulares significativos, de acordo com nova pesquisa. Cientistas da University of British Columbia descobriram que, embora o dsup proteja o DNA de danos, pode prejudicar o crescimento celular e até causar morte em níveis mais altos. As descobertas complicam as esperanças de usar a proteína em missões espaciais.
Tardígrados, animais microscópicos renomados por sobreviverem a condições extremas como radiação e o vácuo do espaço, intrigaram pesquisadores há muito tempo em busca de maneiras de proteger astronautas de ameaças cósmicas. Em 2016, estudos revelaram que uma proteína de tardígrado chamada dsup, ou supressor de danos, aumenta a resistência de células humanas à radiação sem aparentes desvantagens na época. Isso gerou ideias para proteger viajantes espaciais entregando dsup via mRNA encapsulado em nanopartículas lipídicas, semelhante às vacinas contra covid-19. Corey Nislow, pesquisador da University of British Columbia em Vancouver, inicialmente apoiou essa abordagem. „Há dois ou três anos, eu estava totalmente a bordo com a ideia de: vamos entregar mRNA dsup em uma LNP para membros da tripulação em missões espaciais“, disse ele. No entanto, testes extensivos recentes de Nislow em células de levedura geneticamente modificadas para produzir dsup pintam um quadro mais cauteloso. A proteína não só protege contra uma gama mais ampla de substâncias químicas causadoras de mutações além da radiação, mas também prejudica a função celular. Níveis altos se mostraram fatais, enquanto quantidades moderadas retardaram o crescimento. „Há um custo para cada benefício que vimos“, observou Nislow. O mecanismo envolve o dsup envolvendo o DNA, bloqueando o acesso a proteínas necessárias para transcrever RNA, replicar DNA ou realizar reparos. Em células com proteínas de reparo insuficientes, o dsup agravou os danos ao impedir correções. Especialistas ofereceram visões mistas, mas construtivas. James Byrne, da University of Iowa, que explora dsup para terapia de radiação contra câncer, concordou com a necessidade de produção direcionada e temporária para evitar custos à saúde. Simon Galas, da University of Montpellier na França, confirmou toxicidade em doses altas, mas destacou benefícios em níveis baixos, como vida útil estendida em nematoides via proteção contra estresse oxidativo. Jessica Tyler, do Weill Cornell Medicine em Nova York, relatou efeitos positivos em levedura em concentrações mais baixas sem impactos no crescimento, enfatizando dosagem precisa. Nislow permanece otimista quanto a tecnologias de entrega futuras, impulsionadas por investimentos farmacêuticos, para permitir expressão controlada de dsup em células específicas. O estudo aparece no bioRxiv (DOI: 10.64898/2025.12.24.696340).