Exportações de carvão dos EUA para a Índia prejudicam comunidades em Baltimore e Ennore

As exportações de carvão americano para a Índia dispararam, ligando minas dos Apalaches a indústrias indianas, mas impondo altos custos ambientais e de saúde aos residentes locais. Em Baltimore, a poeira de carvão de terminais de exportação agrava doenças respiratórias, enquanto em Ennore, na Índia, o carvão importado polui vilas de pescadores e destrói meios de subsistência. Esta rota comercial destaca as tensões globais entre a dependência de combustíveis fósseis e o bem-estar comunitário.

O comércio de carvão dos EUA para a Índia expandiu-se significativamente nos últimos cinco anos, com quase um quarto dos envios de carvão americanos para o exterior no ano passado destinados aos setores de energia, aço e cimento indianos. Enfrentando uma demanda doméstica em declínio —que caiu pela metade desde 2008 e deve chegar perto de zero em duas décadas—, os produtores de carvão dos EUA pivotaram para exportações, atingindo um máximo de seis anos. Um quarto de todo o carvão minerado agora deixa o país, muitas vezes através dos terminais de Baltimore operados pela CSX e Core Natural Resources, que lidam com 30% das exportações dos EUA. No bairro de Curtis Bay, em Baltimore, residentes como David Jones suportam poeira de carvão de pilhas próximas, contribuindo para altas taxas de asma e doenças respiratórias crônicas, conforme confirmado por um estudo da Johns Hopkins. Jones, um trabalhador de manutenção de rodovias, teme pela sua saúde: “Minha vida vai ser encurtada por causa disso.” Uma explosão em dezembro de 2021 no terminal da CSX cobriu casas com poeira em uma área de 12 quarteirões. O organizador ambiental Greg Sawtell descreveu os locais como “funcionários não pagos da CSX”, enfrentando custos de limpeza e contas médicas sem compensação. Do outro lado, em Ennore perto de Chennai, o pescador Panner Selvam viu sua aldeia deslocada desde o final dos anos 1980 para infraestrutura de carvão. Três usinas de energia estatais alimentadas pelo Porto Kamarajar liberam poluentes, causando asma generalizada e problemas de pele. Águas residuais quentes e cinzas voadoras devastam os estoques de peixes, tornando a pesca inviável. “A pesca está desaparecendo”, disse Panner, duvidando que possa passar sua profissão para os filhos. A ativista Vaishnavi P. chamou a área de “inadequada para alguém viver.” A Índia importa cerca de 11% de seu carvão dos EUA, servindo como fornecedor oscilante quando os preços sobem. Apesar das promessas do governo de eliminar importações, as expansões continuam, incluindo novos cais no Porto Kamarajar. Protestos em ambos os locais destacam o custo humano, com a antropóloga Nicole Fabricant rotulando as exportações de carvão como uma “injustiça multicamadas” ligada à violência climática. À medida que as pressões globais por descarbonização aumentam, o futuro da rota permanece volátil, sobrecarregado por mudanças geopolíticas e flutuações de mercado.

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