Anvisa amplia indicações de Wegovy e Ozempic para riscos cardiovasculares

A Anvisa aprovou nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, a expansão das indicações terapêuticas da semaglutida, princípio ativo dos medicamentos Wegovy e Ozempic. O Wegovy agora pode ser usado para reduzir o risco de infarto e AVC em adultos com doença cardiovascular e excesso de peso, enquanto o Ozempic é indicado para diabetes tipo 2 associado a doença renal crônica. A agência também analisa o pedido de uma versão oral do Wegovy.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, em 2 de fevereiro de 2026, a ampliação das indicações para a semaglutida, substância presente nos medicamentos Wegovy e Ozempic, fabricados pela Novo Nordisk. Anteriormente restrito ao tratamento da obesidade, o Wegovy agora é autorizado para reduzir o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), em adultos com doença cardiovascular estabelecida e obesidade ou sobrepeso. Essa decisão baseia-se em estudos que mostram redução significativa nesses eventos quando o medicamento é combinado com dieta hipocalórica e aumento da atividade física. No Brasil, cerca de 400 mil mortes anuais são causadas por infarto ou AVC.

Para o Ozempic, a aprovação estende seu uso ao tratamento de diabetes mellitus tipo 2 associado à doença renal crônica. Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia de 2024 indicam que 29% dos pacientes em diálise no país são diabéticos. O estudo apresentado pela fabricante demonstra que o medicamento, junto à terapia padrão, retarda a progressão da insuficiência renal e reduz mortes por eventos cardiovasculares adversos.

O cardiologista Silvio Giopato, do Hospital das Clínicas da Unicamp, destacou o potencial de redução na incidência de infartos a longo prazo, mas alertou para o alto custo dos medicamentos, que variam de R$ 825 a R$ 1.799, dependendo da dosagem, e não estão disponíveis no SUS. "Importante lembrar que apesar dos sinais positivos começarem num prazo de dois a três anos, o benefício pleno só ocorrerá com o uso contínuo do medicamento. Aí é claro que o aspecto econômico pesa tornando a terapia não acessível para a maioria da população", disse Giopato.

Além disso, a Novo Nordisk protocolou em 30 de janeiro o pedido de registro para uma versão oral do Wegovy, em comprimidos de 25 mg de semaglutida. Se aprovado, seria o primeiro agonista do GLP-1 oral para manejo de peso. Estudos clínicos indicam perda média de 16,6% do peso corporal, similar à versão injetável, com um terço dos participantes perdendo 20% ou mais. O Rybelsus, outro produto à base de semaglutida, já é vendido no Brasil, mas apenas para diabetes tipo 2.

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