Pesquisadores da New York University identificaram como o estrogênio molda o aprendizado ao fortalecer sinais de recompensa baseados em dopamina no cérebro. Em experimentos com ratos, o desempenho de aprendizado melhorou quando os níveis de estrogênio estavam altos e declinou quando a atividade do hormônio foi suprimida. Os achados, publicados na Nature Neuroscience, podem ajudar a explicar flutuações cognitivas ao longo de ciclos hormonais e oferecer pistas para transtornos psiquiátricos ligados à dopamina.
Hormônios como o estrogênio há muito são conhecidos por influenciar a função cerebral, incluindo emoções e tomada de decisões, mas seus efeitos precisos no aprendizado têm sido menos claros. Um novo estudo liderado por Carla Golden, uma pós-doutoranda no Center for Neural Science da New York University, com autora sênior Christine Constantinople, professora lá, oferece nova visão sobre esse processo.
De acordo com comunicados de imprensa da New York University e cobertura no ScienceDaily e SciTechDaily, a equipe realizou experimentos usando ratos de laboratório e monitorou a atividade cerebral enquanto os animais aprendiam a associar pistas auditivas a recompensas — neste caso, acesso à água. As pistas sinalizavam quando a água estaria disponível e quanto os ratos receberiam. O estudo relata que o desempenho de aprendizado dos ratos melhorou quando os níveis de estrogênio estavam elevados.
Os autores concluem que o estrogênio impulsiona a atividade de dopamina em regiões cerebrais envolvidas no processamento de recompensas, fortalecendo assim os sinais de erro de previsão de recompensa que suportam o aprendizado por reforço. O trabalho é detalhado no artigo da Nature Neuroscience “Estrogen modulates reward prediction errors and reinforcement learning” (DOI: 10.1038/s41593-025-02104-z).
Em contraste, quando a atividade do estrogênio foi reduzida, limitando sua capacidade de regular a dopamina, as capacidades de aprendizado dos ratos declinaram. Os pesquisadores enfatizam que a influência do hormônio nesses experimentos foi específica para o aprendizado e não alterou de forma mensurável a tomada de decisões cognitiva, de acordo com resumos da NYU e EurekAlert!.
“Nossos resultados fornecem uma explicação biológica potencial que une a função da dopamina ao aprendizado de maneiras que melhor informam nossa compreensão tanto da saúde quanto da doença”, disse Golden em um comunicado da NYU relatado pelo ScienceDaily e SciTechDaily. Constantinople acrescentou: “Todos os transtornos neuropsiquiátricos mostram flutuações na gravidade dos sintomas ao longo de estados hormonais, sugerindo que uma melhor compreensão de como os hormônios influenciam circuitos neurais pode revelar o que causa essas doenças.”
Os achados destacam como os ciclos hormonais podem contribuir para variações no desempenho cognitivo e para mudanças nos sintomas de certas condições neuropsiquiátricas. Embora o estudo em si tenha sido realizado em ratos e não teste tratamentos, o comunicado da NYU observa que o trabalho pode informar pesquisas futuras sobre transtornos envolvendo dopamina, incluindo algumas doenças psiquiátricas.
A equipe de pesquisa também incluiu colaboradores do Neuroscience Institute da NYU Grossman School of Medicine e do Department of Pharmacology and Toxicology da Virginia Commonwealth University. De acordo com a NYU e EurekAlert!, o trabalho foi apoiado por bolsas do National Institutes of Health (DP2MH126376, F32MH125448, 5T32MH019524, 1S10OD010582-01A1), National Cancer Institute (P30CA016087), NYU Langone Health e Simons Foundation.
O estudo aparece na revista Nature Neuroscience sob o título “Estrogen modulates reward prediction errors and reinforcement learning”, com data de publicação do artigo em 11 de novembro de 2025, e DOI 10.1038/s41593-025-02104-z.