Estudo derruba mito da sobrecaça indígena no Havaí

Pesquisadores da Universidade do Havaí em Mānoa não encontraram evidências de que os indígenas havaianos tenham levado aves aquáticas nativas à extinção, desafiando uma crença de 50 anos. O estudo, publicado na revista Ecosphere, atribui o declínio às mudanças climáticas, espécies invasoras e mudanças no uso da terra, destacando o papel da gestão tradicional na conservação das aves.

Uma equipe liderada por Kristen C. Harmon, Melissa R. Price e Kawika B. Winter analisou dados históricos e rejeitou a narrativa de sobrecaça pelos polinésios ou nativos havaianos. Os pesquisadores concluíram que muitas mudanças ambientais antecederam a chegada desses povos ou seguiram-se a interrupções no manejo tradicional da terra. O artigo, intitulado 'The “regime shift extinctions” hypothesis and mass extinction of waterbirds in Hawaiʻi', foi publicado na edição de janeiro de 2026 da Ecosphere (DOI: 10.1002/ecs2.70445), conforme divulgado pela Universidade do Havaí em Mānoa. Kawika Winter, professor associado da instituição, afirmou: “Grande parte da ciência é tendenciosa pela noção de que os humanos são agentes inevitáveis de ecocídio... Nosso estudo não apenas dissipa esse mito, mas também contribui para um crescente conjunto de evidências de que a gestão indígena representa a melhor forma para que as aves nativas prosperem”. A autora principal, Kristen Harmon, que obteve seu PhD na Faculdade de Agricultura Tropical e Recursos Humanos da UH Mānoa, acrescentou: “A ciência amadureceu a um ponto em que estudantes de pós-graduação estão sendo treinados para desafiar sua própria visão de mundo de longa data... Reunir informações de diferentes disciplinas e sistemas de conhecimento pode produzir um retrato mais preciso da realidade”. As descobertas concentram-se em espécies como a ʻalae ʻula (Gallinula chloropus) e a ʻaeʻo (Himantopus mexicanus knudseni), sugerindo que a restauração de zonas úmidas por meio de sistemas de loʻi pode auxiliar na recuperação. Melissa Price, professora associada na CTAHR, disse: “Estudos recentes corroboram o que os havaianos sempre souberam: a restauração dos loʻi é fundamentalmente importante... Se desejamos transformar nossas ilhas da 'Capital Mundial da Extinção' na 'Capital Mundial da Recuperação', precisamos restaurar as relações entre a natureza e as comunidades”. Ulalia Woodside Lee, diretora executiva da The Nature Conservancy no Havaí e Palmyra, observou o potencial do estudo para reconstruir a confiança: “Por gerações, os nativos havaianos foram criticados... Este estudo nos ajudará a superar essas inverdades, para que todos possamos caminhar juntos rumo a um futuro mais brilhante, onde nossas espécies nativas estejam prosperando novamente”.

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