Estudo revela bactérias chave em microbiomas intestinais saudáveis

Pesquisadores identificaram 50 espécies bacterianas fortemente associadas a marcadores de boa saúde no microbioma intestinal, com base em dados de mais de 34.000 pessoas. As descobertas destacam ligações com controle de colesterol, redução de inflamação e melhor gestão de açúcar no sangue. Este trabalho visa definir o que constitui uma comunidade microbiana saudável em meio a debates contínuos sobre sua composição.

Uma análise em grande escala de microbiomas intestinais de mais de 34.500 participantes no programa PREDICT, conduzida no Reino Unido e nos EUA pela Zoe, identificou bactérias específicas ligadas a resultados de saúde. O estudo, publicado na Nature, focou em 661 espécies bacterianas presentes em mais de 20 por cento dos participantes. Dentre elas, 50 espécies —22 recém-identificadas— correlacionam-se com indicadores de saúde positivos, incluindo níveis mais baixos de colesterol, inflamação reduzida, função imunológica mais saudável, melhor distribuição de gordura corporal e controle aprimorado de açúcar no sangue.

Indivíduos saudáveis sem condições médicas conhecidas abrigavam cerca de 3,6 dessas espécies benéficas a mais do que aqueles com condições. Da mesma forma, pessoas com peso saudável tinham cerca de 5,2 dessas espécies a mais do que as com obesidade. A pesquisa sugere que esses micróbios influenciam a saúde produzindo substâncias químicas que auxiliam no transporte de colesterol, inibem a inflamação, metabolizam gorduras e melhoram a sensibilidade à insulina.

A maioria das bactérias benéficas e prejudiciais pertence à classe Clostridia, particularmente à família Lachnospiraceae, com 13 espécies mostrando efeitos favoráveis e 27 desfavoráveis. Nicola Segata, da Universidade de Trento, na Itália, que liderou o trabalho, observou: “Há uma relação muito intrincada entre a comida que comemos, a composição do nosso microbioma intestinal e os efeitos que o microbioma intestinal tem sobre nossa saúde. A única maneira de tentar mapear essas conexões é ter tamanhos de amostra suficientemente grandes.”

Padrões alimentares também foram examinados por meio de questionários e dados do app Zoe, recomendando pelo menos 30 plantas diferentes por semana, três porções diárias de alimentos fermentados, alto consumo de fibras e itens ultraprocessados mínimos. Embora a maioria dos micróbios se alinhasse a dietas mais saudáveis ou piores, 65 não o fizeram, sublinhando a complexidade. Segata acrescentou: “Essas 65 bactérias são um testemunho do fato de que o quadro ainda é mais complexo do que vimos.”

A equipe desenvolveu uma escala de 0 a 1000 para classificar a saúde do microbioma intestinal, agora integrada aos testes da Zoe. Tim Spector, do King’s College London e cofundador da Zoe, explicou: “Pense em um microbioma intestinal saudável como uma comunidade de fábricas químicas. Queremos grandes números de espécies, queremos que as boas superem as ruins, e quando você consegue isso, você está produzindo químicos realmente saudáveis, que têm impactos em todo o corpo.”

Especialistas como Ines Moura, da Universidade de Leeds, alertam que definir um microbioma saudável permanece desafiador devido a influências da dieta, ambiente, idade e medicamentos. Estudos globais maiores são necessários para refinar esses insights e potencialmente orientar recomendações dietéticas personalizadas.

Artigos relacionados

Scientists in a lab studying how common chemicals disrupt human gut bacteria, with a machine learning model screen showing risk predictions.
Imagem gerada por IA

Cientistas identificam químicos cotidianos que perturbam bactérias intestinais humanas

Reportado por IA Imagem gerada por IA Verificado

Pesquisadores da University of Cambridge descobriram que 168 químicos industriais e agrícolas comuns podem prejudicar bactérias benéficas no intestino humano, com alguns também promovendo resistência a antibióticos. Baseado em uma triagem laboratorial ampla, a equipe criou um modelo de aprendizado de máquina para prever quais químicos podem representar riscos ao microbioma.

Um grupo misterioso de bactérias intestinais conhecido como CAG-170 aparece em números mais elevados entre indivíduos saudáveis, de acordo com um novo estudo. Pesquisadores analisaram microbiomas de mais de 11.000 pessoas em 39 países e descobriram que este género está fortemente associado à boa saúde e ecossistemas intestinais equilibrados. As descobertas sugerem papéis potenciais na produção de vitamina B12 e no apoio a outros micróbios, embora a causalidade permaneça incerta.

Reportado por IA

Pesquisadores descobriram uma assinatura única do microbioma oral em pessoas com obesidade, oferecendo potencialmente estratégias de deteção e prevenção precoces. A descoberta, baseada em amostras de saliva de adultos emiratis, destaca diferenças em bactérias e vias metabólicas associadas à disfunção metabólica. No entanto, os cientistas alertam que a causalidade da relação permanece incerta.

Pesquisadores da Universidade do Estado do Arizona relatam que pessoas que produzem mais metano no intestino tendem a extrair mais energia metabolizável de uma dieta rica em fibras, apontando para diferenças no microbioma que poderiam informar a nutrição personalizada. O trabalho aparece no The ISME Journal (2025) e foi destacado pela ASU em 24 de outubro de 2025.

Reportado por IA Verificado

Pesquisadores relatam que doses pequenas do antibiótico cefaloridina podem induzir certas bactérias intestinais a aumentar a produção de ácido colânico, um polissacarídeo microbiano previamente associado a maior expectativa de vida em animais de laboratório. Em experimentos, nemátodes tratados viveram mais e camundongos mostraram mudanças em medidas de colesterol ou insulina associadas ao envelhecimento, com a equipe argumentando que a abordagem atua no intestino em vez de em todo o corpo.

Pesquisadores descobriram que emulsificantes alimentares comuns consumidos por ratas mães podem perturbar o microbioma intestinal da prole desde a vida inicial, aumentando riscos de inflamação, distúrbios intestinais e obesidade mais tarde. O estudo, realizado no Institut Pasteur e Inserm, destaca impactos potenciais na saúde geracional sem exposição direta. Os achados foram publicados na Nature Communications.

Reportado por IA

Um novo estudo revela que o dano da quimioterapia no revestimento intestinal reconfigura inesperadamente o microbioma, produzindo um composto que fortalece as defesas imunitárias contra a disseminação do cancro. Este processo reduz células imunossupressoras e melhora a resistência à metástase, particularmente no fígado. Dados de pacientes ligam níveis mais elevados deste composto a uma melhor sobrevivência em casos de cancro colorretal.

 

 

 

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar