O governador da Louisiana, Jeff Landry (R), adiou as primárias para a Câmara dos Representantes dos EUA no estado para pelo menos meados de julho, por meio de um decreto executivo de emergência, após a decisão da Suprema Corte de 29 de abril de 2026, no caso Louisiana v. Callais, que invalidou o mapa congressional por considerá-lo inconstitucional sob a Lei do Direito ao Voto (Voting Rights Act). A medida, elogiada pelo presidente Trump e pelo presidente da Câmara, Mike Johnson, mas contestada por uma ação judicial, causou confusão entre os eleitores em meio à votação antecipada em curso para outras disputas, enquanto os republicanos buscam ganhos com o redesenho dos distritos.
A Suprema Corte dos EUA decidiu por 6 a 3 em 29 de abril de 2026, no caso Louisiana v. Callais, que o mapa congressional do estado — com dois distritos de maioria negra em seis, apesar de os residentes negros representarem cerca de 33% da população — violava a Lei do Direito ao Voto por meio de gerrymandering racial e impunha um fardo pesado sobre as reivindicações da Seção 2 (veja a cobertura anterior nesta série). O voto divergente da juíza Elena Kagan alertou que a decisão tornou a Seção 2 "praticamente letra morta".
O governador Jeff Landry respondeu em 30 de abril com um decreto executivo suspendendo as primárias para a Câmara, originalmente marcadas para 16 de maio (com a votação antecipada em andamento), transferindo-as para 15 de julho ou até que novos mapas sejam desenhados, enquanto poupou a primária para o Senado e outras disputas — cuja votação antecipada começou no sábado. Landry justificou a medida como uma forma de manter "o Estado de Direito". O presidente Donald Trump elogiou sua "visão, força e liderança" nas redes sociais, e o presidente da Câmara, Mike Johnson (R-La.), apoiou a decisão, sugerindo uma primária "jungle" para novembro.
Uma ação judicial apresentada na noite de quinta-feira contesta a autoridade de Landry. Funcionários locais, como o secretário eleitoral da paróquia de Winn, Bryan Kelley, chamaram a situação de "louca e confusa", mas estão informando os eleitores por meio de panfletos e reuniões. David Becker, do Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral, destacou a desorientação dos eleitores: "Todo eleitor na Louisiana agora não sabe se esta eleição vai acontecer ou não". As cédulas de voto ausente já distribuídas aumentam o caos; o senador Bill Cassidy (R-La.) chamou a continuidade das outras disputas de "decepcionante" e pediu clareza.
Os republicanos veem uma chance de redesenhar os distritos para obter uma vantagem de 6-0 para o Partido Republicano com base em "interesses compartilhados e comunalidades regionais" (deputado Thomas Pressly), eliminando distritos de maioria minoritária antes das eleições de meio de mandato de 2026. Os democratas condenaram a medida como "completamente antidemocrática" (candidato Matt Gromlich) e um "golpe de poder no redesenho distrital" (Marc Elias). Críticos como Janai Nelson, do Fundo de Defesa Legal, classificaram a decisão como "catastrófica" para a representação negra. Em contraste, o governador da Geórgia, Brian Kemp, disse que seu estado não fará um novo desenho antes da primária de 19 de maio, mas prevê mudanças até 2028.