Uma nova análise sugere que variar as rotinas de exercícios, como misturar corrida, ciclismo e natação, pode reduzir o risco de mortalidade em 19 por cento em comparação com treinos menos diversos, mesmo quando os níveis totais de atividade são semelhantes. Pesquisadores examinaram dados de mais de 110.000 participantes dos EUA acompanhados por mais de três décadas. As descobertas destacam os benefícios potenciais da variedade nos exercícios, embora permaneçam sugestivas em vez de conclusivas.
Pesquisadores descobriram evidências de que incorporar uma mistura de atividades físicas pode contribuir para uma vida mais longa. Uma análise de dois grandes estudos americanos, abrangendo de 1986 a 2018, envolveu 70.000 mulheres do Nurses’ Health Study e 41.000 homens do Health Professionals Follow-Up Study. Os participantes relataram suas atividades por meio de questionários a cada dois anos, excluindo aqueles com condições que limitassem o exercício.
O estudo focou em nove atividades predominantemente aeróbicas: caminhada; trote em ritmos mais lentos que 6,2 minutos por quilômetro; corrida; ciclismo ao ar livre ou em bicicletas ergométricas; subir escadas; natação; remo ou calistenia, como agachamentos e flexões; tênis, squash ou raquetebol; e treinamento de peso ou resistência. Aqueles que praticaram uma variedade desses exercícios apresentaram um risco 19 por cento menor de morte por qualquer causa ao longo do período de mais de 30 anos, em comparação com indivíduos igualmente ativos com rotinas mais restritas.
"Se a quantidade total de atividade física for mantida constante, você obterá benefícios adicionais ao realizar uma mistura de atividades físicas", explicou Han Han, da Universidade de Harvard. No entanto, estudos observacionais como este não podem provar causalidade, e dados autorrelatados podem superestimar os níveis de atividade, enquanto pessoas mais saudáveis tendem a se exercitar mais, o que pode enviesar os resultados.
Os benefícios podem estabilizar após algumas horas semanais por tipo de atividade, sugerindo que a variedade ajuda ao introduzir novos efeitos fisiológicos ou evitar o uso excessivo. "Acreditamos que futuros estudos poderiam examinar os possíveis efeitos sinérgicos de diferentes atividades", observou Han, acrescentando que as misturas ideais podem evoluir com a idade.
Duck-chul Lee, da Universidade de Pittsburgh, pediu cautela na interpretação, mas apontou o apoio das diretrizes da Organização Mundial da Saúde, que recomendam combinar exercícios aeróbicos e de resistência para obter ganhos de saúde mais amplos. Pesquisas futuras poderiam aproveitar rastreadores vestíveis para dados mais precisos, embora o rastreamento de longo prazo atualmente dependa de pesquisas.
As descobertas aparecem no BMJ Medicine (DOI: 10.1136/bmjmed-2025-001513).