Uma nova revisão da Cochrane Library de dezenas de ensaios confirma que o exercício regular pode aliviar sintomas de depressão tão eficazmente quanto antidepressivos ou terapia cognitivo-comportamental. Mesmo atividades leves como caminhar podem proporcionar benefícios significativos. Pesquisadores analisaram quase 5000 adultos com depressão, encontrando reduções moderadas nos sintomas em vários tipos de exercício.
Uma revisão atualizada publicada pela Cochrane Library fortaleceu as evidências de que o exercício oferece um tratamento viável para a depressão. Baseando-se em uma análise de 2013, este exame mais recente quase dobra os dados, extraídos de 69 ensaios controlados randomizados envolvendo quase 5000 adultos diagnosticados com depressão leve, moderada ou grave, ou com pontuações altas em escalas de sintomas. Em 57 ensaios, participantes designados para exercício regular mostraram sintomas moderadamente reduzidos — como tristeza persistente ou perda de interesse — em comparação com aqueles em listas de espera ou sem tratamento. Os exercícios variaram de jardinagem de baixa intensidade e caminhadas rápidas a sprints vigorosos ou futebol, excluindo ioga ou alongamentos para isolar os efeitos da atividade física. As sessões ocorreram tipicamente semanalmente por semanas a meses. A revisão também comparou o exercício diretamente com outras terapias. Em 10 ensaios contra terapia cognitivo-comportamental (CBT) e cinco contra antidepressivos isolados, o exercício performou igualmente bem. «Não houve diferença entre eles», observa Emily Hird da University College London, que não esteve envolvida no estudo. Exercícios leves e moderados pareceram mais eficazes que os intensos, provavelmente devido a melhor adesão. «Se você começar forte demais, as pessoas desistem e param de se exercitar», explica Brendon Stubbs do King’s College London. Mecanismos potenciais incluem benefícios sociais de atividades em grupo, autoestima elevada e mioquinas liberadas pelos músculos que reduzem inflamação e promovem crescimento de células cerebrais, especialmente no treinamento de resistência. Diretrizes de órgãos como o National Institute for Health and Care Excellence do Reino Unido já endossam exercício aeróbico, como 10 semanas de corrida. No entanto, limitações persistem: participantes sabiam suas designações de grupo, arriscando efeitos placebo, e muitos ensaios tinham amostras pequenas. Estudos maiores são necessários para identificar exercícios ótimos para diferentes severidades de depressão. «O mais importante é capacitar as pessoas a fazerem algo que gostem», acrescenta Stubbs.