A Ferrari divulgou imagens do interior do seu próximo veículo elétrico, o Luce, projetado em colaboração com a empresa LoveFrom de Jony Ive e Marc Newson. O design inspira-se nos clássicos interiores Ferrari dos anos 1950 a 1970, enfatizando controlos físicos e materiais premium em detrimento de interfaces digitais modernas. Isto marca um passo significativo para o fabricante italiano ao entrar na era totalmente elétrica, com foco na tateabilidade e no património.
O primeiro veículo totalmente elétrico da Ferrari, chamado Luce — 'luz' em italiano e anteriormente conhecido como Elettrica — apresenta um interior que combina estética retro com tecnologia avançada. Projetado pela LoveFrom, a empresa fundada pelo ex-chefe de design da Apple Jony Ive e pelo designer Marc Newson após a saída de Ive da Apple em 2019, a cabine evoca a simplicidade dos modelos Ferrari dos anos 1950, 1960 e 1970. Incorpora medidores redondos claros, elementos de alumínio escovado e botões físicos e interruptores de basculamento, afastando-se dos painéis capacitivos encontrados em Ferraris recentes como o 296. O volante assemelha-se ao icónico design Nardi, usinado em alumínio reciclado por CNC e pesando 400 gramas menos que os volantes Ferrari padrão. Os botões da buzina estão integrados nas raias, com pods multifuncionais para manter a ergonomia com as mãos no volante. O painel de instrumentos utiliza duas telas OLED sobrepostas: a traseira exibe mostradores de estilo analógico através de recortes, imitando medidores tradicionais de marcas como Veglia ou Jaeger, enquanto uma agulha física serve como tacómetro pseudo. O ecrã de infotainment de 10,12 polegadas monta-se numa junta esférica, permitindo que pivote para o condutor ou passageiro. O vidro avançado da Corning — referido como Fusion5 em alguns detalhes e Gorilla Glass noutros — aparece em cerca de 40 componentes, incluindo a chave com o seu ecrã e-ink e a secção do shifter. O painel e-ink amarelo da chave escurece ao inserir na consola, transferindo simbolicamente 'vida' para o shifter de vidro luminoso. Os acentos de alumínio são anodizados em opções como cinzento, cinzento escuro e ouro rosa, com características táteis como paddle shifters satisfatórios, saídas de ar precisas e um dial de limpa-vidros com lente de aumento sobre um painel OLED Samsung personalizado de 200 ppi. Sob o capô, o Luce tem dois motores dianteiros de 140 cv (105 kW) e dois traseiros de 415 cv (310 kW), entregando um total de 1.113 cv (830 kW) de uma bateria de 122 kWh. Acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e atinge velocidade máxima de 310 km/h. A dinâmica do chassis depende de amortecedores de bobine de resposta rápida, e sons sintéticos são amplificados de pickups do trem motriz, semelhante a uma guitarra elétrica. Ive descreveu o projeto de cinco anos como 'extremamente excitante' e 'completamente aterrorizador', enfatizando a necessidade de conexões físicas em carros modernos, que disse estarem 'a faltar algumas coisas que amamos nos nossos velhos Ferraris'. Newson destacou a paixão partilhada por veículos, chamando-o de 'hobby'. Ive elogiou o CEO da Ferrari Benedetto Vigna como um 'engenheiro incrível' dedicado a aprendizados mais amplos. Apesar dos desafios da indústria automóvel altamente regulada, Ive notou que a colaboração tem sido 'realmente adorável'. A revelação completa do exterior está agendada para maio de 2026 em Maranello, Itália.