O Departamento de Agricultura dos EUA concordou em fornecer conjuntos de dados brutos de risco climático aos autores da ação judicial, após processo movido por grupos ambientais e agrícolas. Esse acordo garante o acesso público aos dados mesmo se as ferramentas online forem removidas no futuro. A medida resulta de esforços para restaurar recursos excluídos após a administração Trump assumir o cargo.
Em janeiro de 2025, logo após o presidente Donald Trump assumir o cargo, funcionários do Departamento de Agricultura dos EUA foram instruídos a sinalizar e excluir páginas da web que mencionavam mudanças climáticas, incluindo aquelas que ajudavam agricultores a se prepararem para tempo extremo. nnOrganizações sem fins lucrativos ambientais e agrícolas, representadas pela Earthjustice, responderam processando a agência, alegando violações de leis federais como a Paperwork Reduction Act de 1995 e a Freedom of Information Act. Essas leis exigem que as agências forneçam aviso prévio antes de alterar o acesso público a ferramentas informacionais. nnEm maio de 2025, dias antes de uma audiência agendada, o USDA anunciou que restauraria as páginas web afetadas. Peter Lehner, advogado-gerente da Earthjustice, afirmou: “nós havíamos essencialmente vencido”. As negociações para um acordo completo continuaram, com foco em garantir acesso público de longo prazo aos dados. nnNa semana passada, antes da publicação deste relatório em 3 de março de 2026, o USDA finalizou o acordo. Ele concordou em compartilhar os conjuntos de dados que alimentam seu visualizador de risco climático, que conta com mais de 140 camadas, incluindo mapas de risco de incêndios florestais, e outras ferramentas. O visualizador permanecerá online até que os autores, como o Natural Resources Defense Council, recebam os dados brutos, permitindo que recriem os mapas, se necessário. nnLehner enfatizou: “O governo deve poder alterar seu site. Mas tem que fazê-lo de certas maneiras. E, se for informação importante, tem que avisar o público e proceder com cuidado”. O Departamento de Justiça, que representa o USDA, recusou-se a comentar. nnUma das autoras, a Northeast Organic Farming Association of New York (NOFA), destacou a importância das páginas sobre empréstimos para práticas de conservação inteligentes em relação ao clima. Wes Gillingham, presidente do conselho da NOFA e agricultor, observou que sua organização orienta produtores para esses recursos em prol de práticas sustentáveis. Contudo, ele expressou incerteza sobre os programas de empréstimo disponíveis na segunda administração Trump, afirmando: “Quais programas de empréstimo estão ativos ou não é uma grande questão”. nnGillingham também manifestou preocupações com possíveis cortes em uma futura lei agrícola que poderiam reduzir o financiamento para esforços de conservação, como a proteção à saúde do solo. Lehner acrescentou que representar agricultores afetados por essas mudanças proporcionou alavancagem, dizendo: “Para ser franco, acho que o fato de representarmos agricultores e outros que diziam: ‘Vejam, isso nos prejudica...’, isso não os fazia parecer muito bem”.