Terapia com células CAR-T pode desacelerar progressão da ELA

Pesquisadores estão explorando a terapia com células CAR-T para desacelerar o avanço da esclerose lateral amiotrófica (ELA) ao mirar células imunes hiperativas no cérebro. A abordagem visa reduzir o dano neuronal sem curar a doença. Estudos iniciais sugerem benefícios potenciais para outras condições neurodegenerativas também.

Células imunes geneticamente modificadas, conhecidas como células CAR-T, podem ajudar a desacelerar a progressão da esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma condição neurodegenerativa que leva à perda de neurônios motores que controlam músculos voluntários. A ELA, também chamada doença de Lou Gehrig, tem expectativa de vida de dois a cinco anos após o diagnóstico, com menos de 10 por cento dos pacientes sobrevivendo mais de uma década. Embora existam tratamentos para 5 a 10 por cento dos casos causados por mutações genéticas, as formas esporádicas — que constituem a maioria — carecem de terapias eficazes.  nnEvidências apontam para a inflamação cerebral como fator chave na morte de neurônios motores. Especificamente, células imunes chamadas microglia podem ficar hiperativas, removendo sinapses em excesso e contribuindo para a perda neuronal. Davide Trotti, no Jefferson Weinberg ALS Center na Pensilvânia, explica que essas «microglia amplificadoras de dano» exibem altos níveis de uma proteína chamada uPAR em sua superfície, atuando como uma marca para direcionamento.  nnA equipe de Trotti desenvolveu células CAR-T projetadas para reconhecer uPAR e eliminar essas microglia rebeldes. Em estudos de laboratório com células cultivadas, a terapia matou as células problemáticas sem prejudicar os neurônios. «Não é uma forma de curar a doença», diz Trotti. «O objetivo é desacelerar a doença.»  nnExperimentos atuais envolvem camundongos com mutação causadora de ELA, com resultados esperados em cerca de um ano. Se promissores, reguladores podem acelerar ensaios clínicos humanos dada a gravidade da doença. Ammar Al-Chalabi, do King’s College London, observa: «A evidência de disfunção imune na ELA está crescendo. Parece-me uma abordagem muito promissora e interessante.»  nnO método pode se estender a outras condições envolvendo microglia semelhantes, como certas demências. No entanto, células CAR-T trazem riscos de efeitos colaterais graves e altos custos devido à fabricação personalizada, embora esforços estejam em andamento para melhorar segurança e acessibilidade.

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