Uma fazenda de laticínios em Michigan registrou melhorias rápidas na qualidade do leite e redução nos custos de ração após adotar soja high-oleic desenvolvida por meio de pesquisas da Michigan State University. A inovação, respaldada por anos de estudos, está ganhando tração entre os fazendeiros. Isso pode sinalizar mudanças mais amplas na indústria de laticínios.
No sul de Michigan, a fazenda de laticínios da família Preston, de 1.500 acres, que gerencia quase 1.000 vacas, deu um passo significativo na primavera de 2024 ao dedicar 400 acres —cerca de um terço de sua terra— ao cultivo de soja high-oleic. Essa decisão veio de uma colaboração com a Michigan State University (MSU), com a qual a família tem laços profundos desde a década de 1940. Brian Preston, graduado da MSU que supervisiona as operações diárias, reconheceu o risco: «Esses 400 acres poderiam ter sido nosso milho e nosso grão para o ano». Após a colheita, a soja foi incorporada à ração das vacas. Os resultados foram rápidos: em três dias, os níveis de gordura e proteína do leite aumentaram, elevando seu valor. Os custos de ração caíram 20% por mês, uma mudança que Preston descreveu como «enorme» e «uma mudança de geração única». A soja, rica em ácido oleico, resulta de mais de uma década de pesquisa liderada pelo professor Adam Lock do Departamento de Ciência Animal da MSU. Sua equipe explorou como gorduras dietéticas afetam a composição do leite, a saúde das vacas e a economia das fazendas. «Nosso trabalho se baseia em mais de uma década de pesquisa em nosso laboratório explorando como as gorduras dietéticas influenciam a composição do leite, a saúde das vacas e a economia das fazendas», explicou Lock. Torrar a soja no local melhora ainda mais os benefícios, permitindo que as fazendas substituam suplementos caros como gorduras e aminoácidos adicionados. Financiada pelo USDA National Institute of Food and Agriculture, Michigan Alliance for Animal Agriculture, Michigan Milk Producers Association e United Soybean Board, a pesquisa tem impactos práticos. A demanda por sementes explodiu no ano passado, com fornecedores em Michigan esgotando estoques. Lock observou: «Ver nossa pesquisa em ação em fazendas como Preston Farms é incrivelmente gratificante». O setor de laticínios de Michigan, com mais de 850 fazendas e 436.000 vacas, contribui com US$ 15,7 bilhões para a economia do estado. Glenn Preston, tio de Brian e proprietário da fazenda, elogiou a parceria com a MSU: «Através da MSU Extension e trabalhando com Adam Lock, temos acesso às mentes mais brilhantes do mundo». Essa inovação apoia eficiência e rentabilidade, garantindo que produtos lácteos frescos cheguem aos consumidores rapidamente. À medida que as universidades reduzem pesquisas em laticínios, o novo Centro de Ensino e Pesquisa de Gado Leiteiro da MSU promete avanços contínuos, potencialmente remodelando a indústria.