A Suprema Corte dos EUA decidiu por 6 a 3 na terça-feira, no caso Hencely v. Fluor Corporation, permitindo que um ex-soldado ferido em um atentado suicida processe a empresa de defesa sob a lei estadual. O juiz Clarence Thomas escreveu o parecer da maioria, acompanhado pelos juízes Amy Coney Barrett, Neil Gorsuch e pelos três juízes liberais. A decisão rejeitou argumentos para a preempção federal de tais reivindicações.
O especialista Winston Hencely, um soldado de 20 anos, foi gravemente ferido com danos cranianos e cerebrais durante um atentado suicida em 2016 em uma base militar dos EUA no Afeganistão. Ahmad Nayeb, um funcionário local contratado pela Fluor Corporation, mentiu sobre seu passado no Taleban e detonou explosivos depois que Hencely confrontou seu comportamento suspeito. Uma investigação do Exército constatou que as falhas da Fluor em supervisionar Nayeb violaram protocolos de segurança, possivelmente impedindo um ataque pior graças às ações de Hencely, apesar de não ser seu dever. Hencely processou a Fluor por negligência sob a lei da Carolina do Sul, seu estado natal. A Fluor argumentou que a lei federal invalidava a reivindicação estadual devido à cláusula de supremacia e atividades em tempo de guerra, buscando imunidade como contratada de defesa. O parecer da maioria, redigido por Thomas, sustentou que nenhum estatuto federal ou disposição constitucional concede tal imunidade, enfatizando que os tribunais não podem inventar uma. O próprio Exército havia citado as violações da Fluor, minando as alegações de que a empresa apenas seguia ordens. No voto divergente, o juiz Samuel Alito, acompanhado pelo juiz-chefe John Roberts e pelo juiz Brett Kavanaugh, apoiou a doutrina de 'preempção em campo de batalha' do 4º Tribunal de Apelações dos EUA. Eles argumentaram que isso protegeria os contratados de processos estaduais em meio aos desafios de guerra para evitar danos aos esforços militares.