Astrônomos descobriram que a Via Láctea reside dentro de uma vasta folha plana de matéria dominada por matéria escura, cercada por enormes vazios cósmicos. Essa estrutura explica por que a maioria das galáxias próximas está se afastando do nosso Grupo Local em vez de ser atraída pela gravidade. A descoberta, baseada em simulações avançadas, resolve um enigma de longa data na cosmologia.
Há quase um século, Edwin Hubble observou que a maioria das galáxias está recuando da Via Láctea, apoiando a ideia de um universo em expansão originário do Big Bang. Contudo, Andrômeda destaca-se como exceção, aproximando-se a cerca de 100 quilômetros por segundo. Nos últimos 50 anos, pesquisadores têm se intrigado com o movimento para fora de outras grandes galáxias próximas ao Grupo Local, que inclui a Via Láctea, Andrômeda e companheiros menores, pois a gravidade combinada deveria atrair esses vizinhos para mais perto em vez de repeli-los. Uma equipe internacional, liderada pelo recém-doutor Ewoud Wempe do Instituto Kapteyn em Groningen, usou simulações computacionais para investigar. Partindo de condições do universo primordial derivadas de medições do fundo cósmico de micro-ondas, eles evoluíram um modelo adiante no tempo para replicar o atual Grupo Local. As simulações revelaram uma ampla e achatada distribuição de matéria que se estende por dezenas de milhões de anos-luz, abrangendo matéria ordinária e escura. Essa folha cósmica é flanqueada acima e abaixo por vastos vazios cósmicos com mínima matéria. O modelo reproduz com precisão as massas, posições e velocidades da Via Láctea, Andrômeda e 31 galáxias próximas fora do Grupo Local, merecendo a descrição de 'gêmeo virtual' do nosso bairro cósmico. Nesse plano, a dispersão de massa contrabalanceia a atração gravitacional do Grupo Local, permitindo que as galáxias derivem para fora, enquanto os vazios esparsos explicam a falta de movimento para dentro de outras direções. Wempe afirmou: 'Estamos explorando todas as configurações locais possíveis do universo primordial que poderiam levar ao Grupo Local. É ótimo que agora tenhamos um modelo consistente com o modelo cosmológico atual de um lado, e com a dinâmica do nosso ambiente local do outro.' A astrônoma Amina Helmi acrescentou: 'Estou empolgada em ver que, baseando-nos puramente nos movimentos das galáxias, podemos determinar uma distribuição de massa que corresponde às posições das galáxias dentro e logo fora do Grupo Local.' A pesquisa, publicada na Nature Astronomy em 2026, marca o primeiro mapeamento detalhado da distribuição de matéria escura ao redor da Via Láctea e Andrômeda.