Cientistas da Universidade de Utah usaram amostras de cabelo preservadas para rastrear um declínio dramático na exposição ao chumbo entre americanos ao longo do século passado, ligando-o diretamente a regulamentações ambientais introduzidas nos anos 1970. O estudo mostra que os níveis de chumbo no cabelo eram cerca de 100 vezes mais altos antes da formação da EPA do que depois. Esse registro histórico ressalta os benefícios para a saúde pública de conter o chumbo de fontes como gasolina e tinta.
A poluição por chumbo era outrora ubíqua nos Estados Unidos, proveniente de escapamento de veículos, fábricas, tintas à base de chumbo e canos de água. Um novo estudo publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em 2026 documenta como a exposição a esse metal tóxico despencou após regras ambientais mais rigorosas. Pesquisadores analisaram amostras de cabelo de 48 indivíduos ao longo do Wasatch Front, em Utah, uma área com histórico de intensa atividade industrial, incluindo fundição. As amostras, algumas preservadas em álbuns de família desde 1916, forneceram uma linha do tempo de acúmulo de chumbo. Usando espectrometria de massa, a equipe mediu concentrações de chumbo, encontrando níveis tão altos quanto 100 partes por milhão (ppm) antes de 1970, caindo para cerca de 10 ppm em 1990 e menos de 1 ppm em 2024. «Conseguimos mostrar por meio de nossas amostras de cabelo quais são as concentrações de chumbo antes e depois do estabelecimento de regulamentações pela EPA», disse Ken Smith, demógrafo e professor emérito distinguido da Universidade de Utah. «Temos amostras de cabelo abrangendo cerca de 100 anos. E quando as regulamentações estavam ausentes, os níveis de chumbo eram cerca de 100 vezes mais altos do que após as regulamentações.» O declínio espelha a eliminação gradual da gasolina com chumbo, que continha cerca de 2 gramas de chumbo por galão antes de 1970. Isso resultou em quase 2 libras de chumbo entrando no meio ambiente por pessoa anualmente através do escapamento. A EPA, estabelecida sob o presidente Richard Nixon em 1970, impôs limites ao chumbo na gasolina, tinta e encanamento, levando a reduções acentuadas apesar do aumento no uso de combustível. O coautor Thure Cerling, professor de geologia e biologia, enfatizou o impacto das regulamentações: «Não devemos esquecer as lições da história. E a lição é que essas regulamentações foram muito importantes.» Ele observou que, embora o chumbo oferecesse benefícios práticos, como melhorar o desempenho do motor e a durabilidade da tinta, seus riscos à saúde — incluindo problemas de desenvolvimento em crianças — tornaram necessária a ação. O estudo destaca o valor do cabelo como registro preservado de exposição ambiental, embora reflita níveis gerais em vez de concentrações precisas no sangue. Financiado pela Huntsman Cancer Foundation e pelo National Cancer Institute, a pesquisa surgiu de estudos sobre envelhecimento envolvendo residentes de Utah.