Uma nova revisão de estudos sugere que o jejum intermitente não oferece vantagem significativa sobre dietas tradicionais ou nenhuma intervenção para perda de peso em adultos com sobrepeso ou obesidade. Pesquisadores analisaram dados de 22 ensaios com quase 2.000 participantes. Embora a abordagem permaneça popular, especialistas destacam limitações nas evidências.
O jejum intermitente, um método de dieta que alterna entre períodos de alimentação e jejum, ganhou popularidade como estratégia para eliminar o excesso de peso. Formas comuns incluem a abordagem 16:8, na qual indivíduos jejuam por 16 horas e comem em uma janela de oito horas, e o método 5:2, que envolve alimentação normal cinco dias por semana e restrição severa de calorias nos outros dois. O princípio central é que a alimentação restrita no tempo reduz naturalmente o consumo total de calorias. nnNo entanto, uma revisão sistemática publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews questiona sua eficácia. Liderada por Luis Garegnani no Hospital Italiano de Buenos Aires, na Argentina, a análise examinou 22 ensaios controlados randomizados com quase 2.000 adultos de 18 a 80 anos de regiões como América do Norte, Europa, China, Austrália e América do Sul. Todos os participantes tinham sobrepeso ou obesidade. nnOs achados indicam nenhuma diferença significativa na perda de peso ao comparar o jejum intermitente com orientações dietéticas padrão. Em comparação com um grupo controle sem mudanças, a dieta também não mostrou resultados superiores. «O jejum intermitente simplesmente não parece funcionar para adultos com sobrepeso ou obesidade que tentam perder peso», afirmou Garegnani em um comunicado à imprensa. nnDesafios nos dados incluem inconsistências entre os estudos, complicando conclusões definitivas. Mesmo ao estratificar os resultados por gênero ou tipo de jejum, os benefícios permaneceram evasivos. Satchidananda Panda, do Salk Institute for Biological Studies na Califórnia, criticou a revisão, apontando que a maioria dos ensaios falhou em verificar a adesão dos participantes. «Se não sabemos se os participantes realmente seguiram a intervenção, o que exatamente estamos revisando sistematicamente?», observou. «É um pouco como construir uma catedral em areia movediça e depois realizar uma meta-análise da arquitetura.» nnA revisão concentrou-se apenas nos resultados de perda de peso, deixando outros impactos potenciais na saúde — como efeitos no risco de doenças cardíacas, imunidade, função intestinal ou saúde hepática — sem abordar, pois pesquisas anteriores oferecem sinais mistos. Garegnani enfatizou que, embora o jejum intermitente possa adequar-se a algumas pessoas, não é uma panaceia. «O jejum intermitente não é uma solução milagrosa», disse ele. «[Pode ser] uma opção útil para alguns indivíduos, mas não deve distrair de estratégias mais amplas em nível populacional para prevenir e gerenciar a obesidade.»