O Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), localizado no Kitt Peak National Observatory, concluiu seu levantamento do céu de cinco anos antes do prazo, capturando espectros de 47 milhões de galáxias e quasares — seis vezes mais do que todos os levantamentos anteriores combinados — além de 20 milhões de estrelas. Isso cria o mapa 3D de alta resolução do universo mais detalhado até hoje, superando as metas iniciais de 34 milhões de objetos e oferecendo novas perspectivas sobre a estrutura cósmica e um possível enfraquecimento da energia escura.
Liderada pelo Lawrence Berkeley National Laboratory do Departamento de Energia dos EUA, a colaboração DESI envolve mais de 900 pesquisadores de mais de 70 instituições em todo o mundo, incluindo 300 estudantes de doutorado. A Ohio State University desempenhou um papel fundamental na instrumentação, operações e análise, com contribuições do cientista de instrumentos Paul Martini, do cientista líder de operações Klaus Honscheid e da líder de catálogo de estruturas em larga escala Ashley Ross. O levantamento enfrentou desafios como o incêndio florestal Contreras em 2022, que interrompeu a energia e a internet em Kitt Peak por meses, mas a equipe se adaptou com soluções criativas para obter dados noturnos de alta qualidade.
O DESI iniciou as observações em 2021, mapeando galáxias extremamente tênues usando apenas 100 a 200 fótons devido às suas distâncias de até 10 bilhões de anos-luz. Ele cobre 14.000 graus quadrados do céu (com planos de expansão), em comparação com os 41.000 graus do céu total, parcialmente obscurecidos pela Via Láctea. Os mapas anteriores somavam cerca de 5 milhões de galáxias; o do DESI é quase 10 vezes maior. Como observou David Schlegel, do Berkeley, os mapas crescem 10 vezes a cada década, com o potencial de mapear todas as galáxias observáveis até 2061.
A análise inicial do conjunto completo de dados é esperada em cerca de um ano, com lançamento público para pesquisadores até 2027. O DESI continuará até pelo menos 2028, visando regiões mais difíceis de observar para mapas cósmicos refinados e restrições mais rigorosas sobre parâmetros como a energia escura, que compõe cerca de 70% do universo. Um conjunto de dados do DESI de 2024 sugeriu que ela pode estar enfraquecendo, desafiando o modelo lambda-CDM. Ofer Lahav, da University College London, destacou a enxurrada de dados: de milhares de galáxias há 40 anos para milhões hoje, transferindo os desafios para a análise.