Dois novos estudos sugerem que reduções modestas nos níveis de sódio em alimentos cotidianos, como pão e refeições embaladas, poderiam reduzir significativamente as taxas de doenças cardíacas e derrames em França e no Reino Unido. Essas mudanças ocorreriam sem exigir que as pessoas alterem seus hábitos alimentares. A pesquisa destaca o potencial para melhorias silenciosas na saúde pública por meio de colaboração entre políticas e indústria.
Pesquisadores modelaram os impactos na saúde de iniciativas de redução de sódio na França e no Reino Unido, publicadas na revista Hypertension pela American Heart Association. Na França, um acordo voluntário de 2022 entre o governo e produtores de pão visa reduzir o sal nos pães, incluindo o baguete básico, até 2025. O pão tradicionalmente representa cerca de 25% da ingestão diária de sal, com consumo médio de 8,1 gramas por dia em 2015. nnSe as metas forem atingidas, a ingestão diária de sal poderia cair 0,35 gramas por pessoa, levando a reduções modestas na pressão arterial. Isso poderia prevenir 1.186 mortes anuais, uma queda de 0,18%, além de menos internações por doença cardíaca isquêmica (queda de 1,04%) e derrames (1,05% para hemorrágicos, 0,88% para isquêmicos). Os homens se beneficiariam mais, com 0,87% dos casos evitados em comparação a 0,63% para mulheres. «Essa medida de redução de sal passou completamente despercebida pela população francesa -- ninguém percebeu que o pão continha menos sal», disse Clémence Grave, M.D., autora principal e epidemiologista da Agência Nacional de Saúde Pública Francesa. Ela enfatizou que tais mudanças invisíveis na reformulação de alimentos podem gerar ganhos significativos em saúde pública sem depender de mudanças comportamentais individuais. nnNo Reino Unido, as metas de 2024 para 84 categorias de mercearia e 24 alimentos fora de casa, como hambúrgueres e pizzas, poderiam reduzir a ingestão diária média de sal de 6,1 gramas para 4,9 gramas, uma redução de 17,5%. Em 20 anos, isso poderia evitar 103.000 casos de doença cardíaca isquêmica e 25.000 derrames, gerando 243.000 anos de vida ajustados por qualidade e economizando £1 bilhão para o National Health Service. «Se as empresas alimentícias do Reino Unido tivessem cumprido integralmente as metas de redução de sal de 2024, a queda resultante na ingestão de sal na população poderia ter prevenido dezenas de milhares de ataques cardíacos e derrames», observou Lauren Bandy, D.Phil., autora principal da University of Oxford. nnAmbos os estudos destacam o valor das estratégias em nível populacional, pois o sódio excessivo contribui para a hipertensão e condições relacionadas, como ataque cardíaco e doença renal. A Organização Mundial da Saúde recomenda menos de 2.000 miligramas de sódio por dia, enquanto a American Heart Association sugere no máximo 2.300 miligramas, idealmente 1.500 para aqueles com pressão alta. Especialistas como Daniel W. Jones, M.D., da University of Mississippi, afirmam que tais abordagens nacionais geram benefícios populacionais importantes apesar de pequenas mudanças individuais.