Pesquisadores no Japão descobriram como células cancerosas usam vesículas minúsculas para espalhar a proteína supressora imune PD-L1, explicando por que a imunoterapia frequentemente falha. Uma proteína chamada UBL3 dirige esse processo, mas estatinas comuns podem disruptá-lo, potencialmente aumentando a eficácia do tratamento. As descobertas, de amostras de pacientes e testes de laboratório, sugerem uma maneira simples de melhorar os resultados para pacientes de câncer de pulmão.
A imunoterapia do câncer, que utiliza o sistema imunológico para combater tumores, transformou o tratamento para alguns pacientes por meio de medicamentos que visam a via PD-1/PD-L1. No entanto, muitos tumores evitam essas terapias liberando vesículas extracelulares pequenas (sEVs) carregadas com PD-L1, uma proteína imunossupressora que atenua respostas imunes em todo o corpo. Uma equipe liderada pelo Professor Kunihiro Tsuchida na Universidade Fujita de Saúde, em colaboração com o Hospital da Universidade Médica de Tóquio e a Universidade Médica de Tóquio, investigou esse mecanismo. Publicado em Scientific Reports em 2025, seu estudo revelou que a ubiquitin-like 3 (UBL3) é crucial para a triagem de PD-L1 em sEVs. Isso envolve uma modificação pós-traducional única via ligação dissulfeto na cisteína 272 na região citoplasmática de PD-L1, distinta da ubiquitinação padrão. Experimentos mostraram que elevar UBL3 aumentou o empacotamento de PD-L1 em sEVs sem alterar os níveis totais celulares de PD-L1, enquanto deplecionar UBL3 o reduziu. Surpreendentemente, as estatinas — amplamente usadas para baixar o colesterol — interferiram na modificação de UBL3 em doses baixas clinicamente relevantes, reduzindo drasticamente PD-L1 em sEVs sem toxicidade. > As células cancerosas liberam vesículas extracelulares pequenas contendo PD-L1, que se pensa reduzirem a eficácia da imunoterapia do câncer. No entanto, como o PD-L1 é triado para essas vesículas permaneceu incerto. Em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células com alto PD-L1 tumoral, aqueles em estatinas tinham significativamente menos sEVs carregadas de PD-L1 no sangue do que não-usuários. Bioinformática ligou a expressão de UBL3 e PD-L1 à sobrevivência no câncer de pulmão. > A longo prazo, esta pesquisa pode levar a imunoterapias contra o câncer mais eficazes e acessíveis. Poderia ajudar mais pacientes a se beneficiarem de tratamentos de checkpoint imunológico, melhorando a sobrevivência e a qualidade de vida em cenários do mundo real. Esta descoberta destaca uma rota de escape imunológico alvo, sugerindo que estatinas poderiam aprimorar inibidores de checkpoint de forma acessível, dada sua segurança e disponibilidade.