A Tesla deve divulgar as entregas de veículos elétricos do quarto trimestre em ou por volta de 2 de janeiro, encerrando um segundo ano de vendas em declínio em meio a uma concorrência acirrada. Apesar de uma alta de 25% nas ações em 2025, a alta avaliação da empresa levanta dúvidas sobre seu apelo como investimento. Investidores estão de olho em produtos futuros como Cybercab e Optimus, mas desafios de curto prazo predominam.
A Tesla, uma das maiores fabricantes de veículos elétricos do mundo, enfrenta demanda enfraquecida enquanto rivais mais baratos corroem sua posição de mercado. A empresa entregou 1,79 milhão de EVs em 2024, queda de 1% em relação ao ano anterior e sua primeira queda anual desde o lançamento do Model S em 2011. Essa tendência piorou em 2025, com entregas caindo 6% ano a ano nos três primeiros trimestres até 30 de setembro. Analistas esperam cerca de 450 mil veículos no quarto trimestre, elevando o total anual para 1,67 milhão — queda de 7% em relação a 2024.
A concorrência, especialmente da BYD, está se intensificando em mercados-chave. O Dolphin Surf da BYD é vendido por US$ 26.900 na Europa, comparado aos US$ 44.300 do Model 3 da Tesla. Em novembro, as vendas europeias da Tesla caíram 12% ano a ano, ou mais de 36% excluindo a Noruega devido a créditos fiscais expirados. Sua participação de mercado lá caiu para 1,6% de 2,4% um ano antes.
Apesar desses ventos contrários, as ações da Tesla subiram mais de 25% em 2025, negociando perto de máximas recordes com otimismo por produtos futuros. O robotaxi Cybercab está programado para produção em massa em 2026, dependendo de software de direção totalmente autônoma ainda não aprovado para uso sem supervisão nos EUA. O rival Waymo já completa 450 mil viagens autônomas pagas por semana em cinco cidades. O CEO Elon Musk prevê que o robô humanoide Optimus gere US$ 10 trilhões em receita de longo prazo, potencialmente superando humanos em número até 2040, com produção em massa no final de 2026 e escalando para 1 milhão de unidades anualmente.
No entanto, mais de 70% da receita da Tesla ainda vem de vendas de EVs. Com lucros dos últimos 12 meses de US$ 1,44 por ação, o índice preço/lucro da ação está em 322 — quase 10 vezes os 33 do Nasdaq-100 e muito superior a pares como Broadcom no clube de US$ 1 trilhão. Essa avaliação, em meio a quedas de lucro, sugere riscos de correção antes que novos produtos contribuam de forma significativa.